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13 DE FEVEREIRO DE 1985 1759

de galos, candidatos a galos e simples garnisés, a situação do País é grave e agrava-se mais com a manutenção deste Governo.
O que se impõe não é, pois, uma remodelação governamental, é a demissão do Governo. Isso é hoje compreendido por camadas cada vez mais largas do nosso povo que não deixarão de continuar a exigi-la com redobrado vigor, sem quaisquer disfarces. O afastamento deste Governo tornou-se um imperativo de Estado, do povo e do País.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para um pedido de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado Igrejas Caeiro.

O Sr. Igrejas Caeiro (PS): - A Sr." Deputada Zita Seabra perdoar-me-á, certamente, a minha interrogação. Sei que a resposta será difícil, dado o secretismo habitual do seu partido mas, de qualquer maneira, atrevia-me a perguntar-lhe se o vosso aparelho está já em condições de actualizar as inscrições que se vêem em todos os muros e paredes do País, colocando, em vez de «Soares-Pinto rua», «Soares-Machete rua».

Risos do PS e do PSD.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra a Sr.ª Deputada Zita Seabra.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Sr. Deputado, se valer a pena, tenho a certeza de que as inscrições serão actualizadas. Não tenho dúvida alguma! Penso é que não vale a pena, pois será um Vice-Primeiro-Ministro tão provisório que seria um gastar de tinta desnecessário.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: - Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Igrejas Caeiro.

O Sr. Igrejas Caeiro (PS): - Apenas quero lembrar à Sr.ª Deputada Zita Seabra que durante muito tempo a fábrica de tabaco fabricava os Provisórios que continuam definitivos...

Risos do PS e do PSD.

O Sr. Presidente: - Para um contraprotesto, tem a palavra a Sr.ª Deputada Zita Seabra.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - O Sr. Deputado ainda tem uma grande fé no seu parceiro de coligação e de Governo! Ainda acredita que o Vice-Primeiro-Ministro saído deste Conselho «provisório» do PSD é um Vice-Primeiro-Ministro definitivo, quando esta coligação, há 8 dias, estava lá sólida para 4 anos? ainda acredita nisso? Sr. Deputado, creio que é preciso ter uma grande boa fé!...
Quanto à inscrição ainda lhe digo isto: metade do Governo já caiu, o Pinto já foi para a rua, a nossa esperança é que o Soares irá também, rapidamente.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado Montalvão Machado.

O Sr. Montalvão Machado (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Faz amanhã 20 anos que foi barbaramente assassinado o general Humberto Delgado.
Suponho que será evidente que os sociais-democratas portugueses não podem ficar indiferentes ao preito de homenagem que lhe é devido.
Lembrá-lo hoje, no 20.º aniversário do seu miserável e covarde assassinato, é não só um direito mas antes um dever de todos os democratas e, porque não, de todos os portugueses.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Aqui fica, pois, a nossa solidariedade para com o homem que ele foi, para com o político que quis ser mas que o não deixaram ser como ele o queria, para com a obra que quis levar a acabo mas que a ditadura impediu que a fizesse.
Humberto Delgado ainda não recebeu do povo português, até hoje, a homenagem a que tem legítimo direito. Aquela que é devida aos homens que dão a vida na luta pela liberdade. Aquela de que é merecedor todo aquele que, como ele, soube encarnar um desejo insofrido de libertação da situação política ditatorial em que vivia.
Humberto Delgado não foi apenas, como tantos outros, um combatente pela liberdade. Foi, para além disso, um símbolo de todos aqueles que por uma mesma liberdade em Portugal se haviam batido e continuavam a bater-se.
Foi um líder democrático que galvanizou um país, foi um grito de esperança no silêncio político da ditadura, foi um gesto de fé no marasmo político de então. Foi, numa palavra, um homem com H grande, um português de fibra, um cidadão e um político com uma valentia sem igual.

Aplausos do PS e do PSD.

Será evidente, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que não vamos contar aqui o que foi a vida política de Humberto Delgado. A tal respeito teríamos, necessariamente, muitas e muitas falhas.
Apenas deixaremos alguns apontamentos, muito resumidos, que importa lembrar neste 20.º aniversário da sua morte.
O primeiro é o do exemplo que este homem deu ao País, sacrificando-lhe tudo, absolutamente tudo quanto tinha.
Senhor de uma boa situação pessoal e militar, vivendo uma vida sem necessidades de qualquer espécie, este general português abandonou tudo isso, sem hesitação sequer para lutar por aquilo que lhe faltava a ele e a todos nós - a liberdade.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Deu o exemplo da obrigação, de todos e de cada um de nós, de abandonarmos a vida calma mas sem brilho, a vida materialmente boa mas sem conteúdo espiritual, a comodidade estável mas sem sentido de estar, para a dedicação ao bem comum, aos sãos princípios de uma democracia livre e aberta em que, ao lado dos bens materiais da vida, possa e deva encontrar-se aquilo que pode significar um homem livre e que é, acima de tudo, o direito de ser livre.
Não quereria que esta chamada de atenção para a coragem pessoal do general Humberto Delgado caísse