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I SÉRIE - NÚMERO 60

ser consagrada, salvaguarda cabalmente os valores da liberdade, da exigência pedagógica e da própria Universidade.

Aplausos do CDS.

O Sr. Presidente: - Para formular pedidos de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado Laranjeira Vaz.

O Sr. Laranjeira Vaz (PS): - Sr. Deputado Jorge Góis, congratulo-me pelo facto de V. Ex.ª ter trazido a esta Assembleia um tema polémico, um tema grave, que careceria de mais tempo para o debate.
O meu grupo parlamentar também não dispõe hoje de tempo suficiente para abordar esta questão, mas, amanhã, no período de antes da ordem do dia, apresentaremos aqui a nossa posição em face da situação grave que se vive na Universidade Livre.

O Sr. Presidente: - para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Luís. Vaz, que dispõe de 9 minutos.

O Sr. Luís Vaz (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em nome de um povo a que orgulhosamente pertenço e alguém classificou como «símbolo de algumas das melhores qualidades de que o homem português mais justamente se orgulha» cumpre-me chamar a atenção de VV. Ex.ºs para questões importantes relativas à problemática do desenvolvimento da sua região.
As suas potencialidades humanas, que tantos e tão elevados valores deu ao País, aliados às suas riquezas naturais, poderiam tê-la transformado numa terra de progresso e bem-estar.
Mas não. A sangria humana foi constante para cá do Marão e para lá da fronteira, acabando por produzir riqueza noutras paragens, no País e no estrangeiro, deixando a região empobrecida.
Contudo, após o 25 de Abril, conquistado o poder pelas populações através das autarquias, e apesar. de alguma má gestão, a região conheceu um surto de progresso e vitalidade.
Na última década a face de Trás-os-Montes mudou, graças ao dinamismo do sector da construção civil e do comércio, e muito especialmente, ao investimento feito ao nível das infra-estruturas básicas, como sejam as estradas municipais, electrificação, saneamento básico, arruamentos, abastecimento de água e ensino.
A ideia de subdesenvolvimento atroz, ainda existente acerca da realidade transmontana, é profundamente errada.
Trás-os-Montes tem hoje, a par de uma qualidade de vida invejável com que a natureza o brindou, muito do que está ao dispor das populações dos grandes centros.
As nossas aldeias e vilas têm vindo a transformar-se em locais onde se vive com o mínimo dê condições e dignidade.
Mas, o poder central não soube ou não quis acompanhar o esforço dos Transmontanos, continuando difícil a fixação de quadros e de investimento, em face do isolamento em que a região se encontra.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Muito bem!

O Orador: - É que Trás-os-Montes, e o distrito de Bragança em particular, fica muito longe de Lisboa.

Longe nas horas que se gastam por estradas onde a curva e o mau piso dominam e muito, muito longe e penoso também, através de um caminho-de-ferro que em cada viagem nos brinda com um tormento, mesmo na linha do Douro.
A região está também perto do mar, mas a inadmissíveis 4 ou 5 horas por um arremedo de estrada nacional que penosamente atravessa o Marão. E a questão mantém-se: quem quer investir ou fixar-se nestas condições?
Num momento em que o cidadão comum já se refere com frequência aos «benefícios da insularidade», os Transmontanos esperam que o País os ajude a custear o preço da interioridade.
É, pois, moral e politicamente exigível que o Estado, por um lado,' promova o urgente desbloqueamento do sector das vias de comunicação é, por outro, proporcione as transferências financeiras necessárias ao desenvolvimento da região.
Assim, é fundamental a concretização da via rápida Porto-Bragança e a sua ligação à estrada da Beira e linha do Douro, transpondo o martírio de Moncorvo e Pocinho.
E os Transmontanos fazem votos para que os esforços desenvolvidos nesse sentido pelo ex-Ministro Rosado Correia tenham a necessária continuidade.
Mas o caminho-de-ferro, para além da linha do Douro, é indispensável na actual situação e os Bragançanos não permitirão o encerramento da linha do Tua, embora venham já assistindo ao espectáculo trágico-cómico de ver parar o comboio antes e depois de cada passagem de nível, para que o próprio revisor vá fechar e abrir as cancelas, ou apenas abrandar a marcha adivinhando-se a todo o momento o acidente.
Na perspectiva da optimização das infra-estruturas já existentes, impõe-se uma substancial melhoria dos serviços prestados pela CP na linha do Douro, impulsionando-se a necessária complementaridade entre a rede viária projectada e o caminho-de-ferro.

O Sr. Carlos Lage- (PS): - Muito bem!

O Orador: - Mas a complementaridade das vias de comunicação não deve esquecer a plena utilização da navegabilidade do rio Douro (onde muito já foi investido) de grande interesse para o transporte turístico e de mercadorias.
E não será de mais, pensamos, referir ainda a importância do transporte aéreo que se deverá desenvolver, o que implica a concretização da velha aspiração de um aeródromo regional no centro do distrito de Bragança, mais concretamente no Monte de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Com estes pressupostos tornados realidade estaria Trás-os-Montes com as portas definitivamente abertas ao progresso e à plena utilização local das suas gentes na fruição e valorização das suas riquezas naturais, desde que haja também a necessária coragem que leve à concretização de uma política de regionalização que confira, de facto, poder à região.

Aplausos do PS, do PSD e da ASDI.

Criadas as condições básicas. referidas, a estratégia de desenvolvimento deverá assentar fundamentalmente no aproveitamento das potencialidades. regionais, com