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446 1 SÉRIE - NÚMERO 13

Se bem que «o desenvolvimento extraordinário das comunicações internacionais faz com que se atravessem mais os vastos oceanos culturais com um simples gesto manual».

Risos do PS, do PCP e do CDS,

Não é o gesto em que os Srs. Deputados estão a pensar!...

Risos do PS, do PCP e do CDS.

Um gesto - afinal não tão simples - que nos não dispensa de funcionarmos como «ponte cultural atlântica», ou como «aeroporto cultural».
Na imagética do Plano, tem algo de obcessivo esta ideia de ponte.
«A escolha esclarecida e a que corresponde a grande vocação do País ... é a de se assumir como uma ponte entre tempos, lugares, mercados e civilizações.»
Para quem não saiba ao certo o que é uma ponte, o Governo informa: «Uma ponte é um lugar que une espaços, onde se passa, onde se cruza. Onde se paga

portagem.» Passa-se... mas paga-se!

Risos do PS, do PCP e do CDS.

Ultrapassada é, Srs. Deputados, a velha e simpática imagem da «Casa Lusitana». Agora, que remédio senão ficcionarmos a «Ponte Lusitana» ou o «Aeroporto Lusitano»?
Isto porque, fique bem entendido, «não há desonra em ser intermediário, em proporcionar encontros». Salvo seja!

Risos do PS e do PCP.

A língua e o património são pelo Governo concebidos como «diferença». Como tal, «o património não é algo com que se fica - deverá ser algo que se leva como instrumento cultural para novas tarefas», sendo que « há todo um património ainda por construir aquele que há-de ficar deste século e do próximo... ».
No fim do século XXI, prevê o Governo que Portugal liquide.

Risos do PS.

Quanto à língua, ficamos a saber que «defender a língua portuguesa tem também uma dimensão atacante».
Temos, infelizmente, na proposta das Grandes Opções, o exemplo disso!
Mas cuidado com a defesa da língua junto dos nossos emigrantes, tendo por viático o livro português. $ que, sempre segundo a «bíblia» por onde o Governo reza as suas orações, os nossos emigrantes nem sempre são o que parecem! Por vezes, «a fachada é portuguesa, mas a alma escondida atrás dela nem sempre o é!»

Risos do PS e do PCP.

E depois de fazer a apologia das versões em língua estrangeira do livro português, para uso dos nossos emigrantes, a refutação cabal do clássico tradutore-traditore: «A tradução», diz o Governo, «é incapaz de retirar uma só vírgula ao original. Má ou boa, acrescenta-se a ele.»
Aí têm, Srs. Deputados, o Portugal que vos espera se este Plano não vier a ser, como merece, dissolvido numa salutar gargalhada!
Faço ironia. Tenho consciência disso. Mas antes eu a faça das concepções do Governo do que este da Pátria de todos nós!
É também lapidar a concepção do Governo sobre a «valorização do Papel de Portugal no Mundo».
O mesmo nevoeiro mental.
E de novo a falta de um salutar corte epistemológico com as noções caducas do passado. Sardinha, o pior Pessoa e o sebastianismo mais espesso conduzem o discurso. Lido a golpes de coragem, apetece gritar ao Governo: Acorda! Existencializa-te! Faz a instrução primária! ...

Aplausos do PS e do PCP.

Pois como visiona ele a valorização de Portugal no mundo? De novo «no respeito pelas diversidades e diferenças», fazendo suceder à «universalidade física e territorial... uma universalidade que sempre foi mais importante: a cultural».
Repare-se bem: além, a cultura concebida como política selectiva e de cúpula, como «recusa da utopia do universo»; aqui como afirmação de universalidade!
Afinal não tão universal quanto isso, visto que «tem de se afastar a tentação sebastianista de querer chegar ao mundo todo de uma só vezo. «Na vastidão do mundo», prossegue o Governo, «tem de se saber escolher um Mundo mais pequeno no qual se possa estar cada vez mais perto do centro».

Risos do PS.

«No fundou, resume o Governo, «(isso traduz-se em Portugal) aplicar discriminadamente a sua vocação para a universalidade.»
Os Srs. Deputados ouviram bem? Repito: Aplicar discriminadamente a nossa vocação para a universalidade. Isto consegue-se garantindo «a Portugal um papel activo e primordial na utilização (de um) dos seus mais importantes recursos naturais: a atlanticidade»... ao que o Governo acrescenta mais dois recursos: «o mais importante aeroporto atlântico», que somos, e «a plataforma rotativa que de facto constituímos».
Feito isto, é só pôr a render « o valor que para Portugal resulta do seu passado»... , até porque «o mundo já está a descobrir o que os Portugueses descobriram»...

O Sr. José Magalhães (PCP): - Finalmente!

O Orador: - Já não era sem tempo!
«Há pois estratégia. Há progresso. Há controle» agora no dizer do Sr. Ministro Cadilhe.
Prefiro o Cohen do actualíssimo Eça: «Há talento, há saber»!...

Aplausos do PS e do PCP.

E que pensa o Governo quanto à «Afirmação das Estruturas do Estado Democrático»? Aparentemente, nada!
Desiluda-se quem pense que vai encontrar uma projecção do Estado mais lúcida do que as da língua, da cultura, do património e do próprio Portugal que ficaram desenhadas no espelho de meia dúzia de transcrições cruéis. As mesmas banalidades, as mesmas vagas alusões, o mesmo deserto de ideias.
Vem aí a revisão constitucional? Deixá-la vir! Isso que importa às estruturas do Estado democrático?