18 | I Série - Número: 067 | 16 de Abril de 2009
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Ministro, Sr.as e Srs. Deputados, a primeira reacção do Governo aos números do Banco de Portugal não pode deixar de causar estupefacção. Disse o Ministro das Finanças: «Não vale a pena pensar noutras medidas contra a crise». O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Extraordinário! O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Não se acredita, Sr. Ministro, que alguém veja a realidade económica do pior dado económico de Portugal nos últimos 30 anos e responda: «Não há mais nada a fazer!».
Tão grave como o facto da recessão é uma atitude de resignação, Sr. Ministro. Tão devastador como a ideia de que estamos a ir em plano inclinado, em termos económicos, é a percepção pela opinião pública de que, quando mais precisávamos de um Governo corajoso, de um Governo com audácia, de um Governo mobilizador, o que temos é um Governo cuja política entrou em colapso e chegou ao fim da linha.
O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Exactamente!
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Não, Sr. Ministro! Não, Sr. Ministro das Finanças! A atitude correcta não é «cruzar os braços». A atitude correcta é «arregaçar as mangas».
Aplausos do CDS-PP.
A atitude correcta não é dizer: «Não há mais nada a fazer». A atitude correcta é rectificar aquilo em que erraram e tomar a iniciativa contra a crise no plano social e fiscal.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — É por isso, Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, que me concentrarei nessa diferença face ao Governo.
Como é que não há nada a fazer, Sr. Ministro?! Como é que não há nada a rectificar com os exemplos que lhe vou dar?! Primeiro: a questão da pobreza. Se a previsão do Banco de Portugal estiver certa, por causa de uma teimosia vossa, as pensões de reforma, em 2010, não só não aumentam como não ficam na mesma, vão baixar de valor, o que significa, Sr. Ministro, que quem menos tem ainda ficará com menos e quem precisava de ser apoiado, por ter maior propensão marginal ao consumo, porque não tem margem para gastar, porque a sua pensão de reforma é muito baixa, ainda vai ficar a perder. Olhem para a vossa lei e para a vossa fórmula de cálculo das pensões!
O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Exactamente!
O SR. Paulo Portas (CDS-PP): — Se nada for feito, quem tem uma pensão ate 628 € vai perder 0,2% para o ano; quem tem uma pensão acima de 628 € vai perder 0,7% para o ano. E não há nada a fazer, Sr.
Ministro?!
O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Há tudo!
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Em segundo lugar, ainda no quadro da pobreza, refiro a questão das IPSS.
Sr. Ministro, não há pior sinal, pior momento para estar a aumentar as contribuições para a segurança social das instituições particulares de solidariedade social do que este momento em que o desemprego aumenta, a pobreza aumenta, a fome aumenta e a carência e o desamparo social estão a aumentar!