I SÉRIE — NÚMERO 116
10
gerir de forma errática a Águas de Portugal, mas os castigados são os mesmos do costume: as populações,
que vão pagar um aumento brutal do preço da água.
Lamento dizê-lo, Sr. Deputado Abreu Amorim, mas o que nos veio hoje anunciar foi um aumento brutal dos
preços da água.
Aplausos do BE.
A Sr. ª Presidente: — O Sr. Deputado Carlos Abreu Amorim informou a Mesa que responderá em conjunto
aos pedidos de esclarecimento, pelo que tem, agora, a palavra o Sr. Deputado Paulo Sá.
O Sr. Paulo Sá (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Carlos Abreu Amorim, é conhecida a intenção do
Governo de privatizar os serviços de água e saneamento e, de acordo com as informações disponíveis, que
são escassas, o Governo pretende seguir o seguinte modelo: fusão dos sistemas multimunicipais atualmente
existentes; integração nestes sistemas multimunicipais dos sistemas em baixa; e, por fim, concessão a
privados da exploração destes serviços. Ou seja, o Estado já investiu nas infraestruturas do setor, e continuará
a fazê-lo, e os consumidores passam a pagar mais, aliás como foi anunciado há dias, cerca de 2,5 ou 3 € por
metro cúbico de água e os privados ficarão com os lucros da exploração.
É isto que significa a privatização na ótica do Governo: encargos para o Estado e para os consumidores e
lucros para os privados.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!
O Sr. Paulo Sá (PCP): — Sr. Deputado, a este propósito e a título de exemplo, permita-me que lhe lembre
uma recente auditoria do Tribunal de Contas a uma destas famosas concessões criada em 2005, concessões
que os senhores tanto apreciam, e na altura era só vantagens. Vejamos o que diz, então, a auditoria sobre
uma concessão, a Fagar, do concelho de Faro, ao fim de sete anos. Passo a ler o relatório do Tribunal de
Contas: «o acordo financeiro alcançado não prevê qualquer transferência efetiva de risco para o parceiro
privado, na medida em que a rendibilidade do projeto está, em última instância, sempre garantida por via do
esforço do parceiro público,…»
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Ora bem!
O Sr. Paulo Sá (PCP): — «… ou dos consumidores ou de ambos».
Este é o relatório do Tribunal de Contas sobre a parceria público-privada (PPP) no âmbito dos serviços da
água.
O Tribunal de Contas diz mais: que inicialmente, para esta concessão sem risco, estava prevista uma
rendibilidade de 8%, mas depois, graças a um «expediente» — palavra que consta do relatório do Tribunal de
Contas —, o parceiro privado conseguiu obter uma remuneração adicional que eleva a taxa de rendibilidade
para 14,9%. Repito, Sr. Deputado Carlos Abreu Amorim: 15% de rendibilidade num negócio sem qualquer
risco. Isto é dito pelo próprio Tribunal de Contas relativamente a uma concessão, as quais os senhores tanto
apreciam e que agora querem alargar a todo o País.
É este o caminho que o Governo e os partidos que o suportam pretendem: garantir lucros fabulosos a estes
parceiros privados à custa do Estado e dos consumidores.
Aplausos do PCP e de Os Verdes.
A Sr.ª Presidente: — Sr. Deputado Carlos Abreu Amorim, tem a palavra para responder.
O Sr. Carlos Abreu Amorim (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Luís Fazenda, a permanência longa,
quase eterna, nos princípios ideológicos, apesar da realidade, até um determinado grau pode ser considerada
convicção arreigada e profunda. Mas, com toda a sinceridade, Sr. Deputado, a partir do momento em que ela