20 DE SETEMBRO DE 2012
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Tem a palavra o Sr. Ministro da Educação e Ciência.
O Sr. Ministro da Educação e Ciência (Nuno Crato): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: O ano
escolar está aberto no ensino básico e secundário em todo o País. Os professores, os diretores e os
funcionários abriram as escolas aos alunos que, por estes dias, iniciaram mais um ano de trabalho.
Sublinho, os professores, os diretores, os coordenadores e outros membros das direções das escolas, os
profissionais de educação, os pais, abriram na data prevista praticamente todos os agrupamentos e escolas
não agrupadas do País. Segundo os nossos serviços acabam de me informar, apenas cinco escolas não
iniciaram ainda os seus trabalhos. É um empreendimento que, na rede escolar pública do continente, envolve
cerca de 1 milhão e 300 000 alunos, milhares e milhares de professores, mais de 1000 diretores, e que foi feito
com sucesso porque esses profissionais para isso trabalharam.
Conclui-se indubitavelmente que o ano escolar abriu com normalidade. Houve problemas pontuais?
Certamente. E certamente que esses problemas estão a ser ultrapassados. Qualquer problema é um problema
a mais. Não ficamos satisfeitos, porque sabemos que podemos continuar a melhorar, e continuaremos a
melhorar, trabalhando com os diretores, os professores, os municípios e as famílias.
O que mudou neste novo ano letivo? Algumas coisas. Foram mudanças pontuais e cautelosas, com
implicações para a vida escolar, mas todas elas orientadas para a melhoria real do ensino. No ensino básico e
secundário, temos mais Português, temos mais Matemática, mais História e Geografia, mais Ciências
Naturais, mais Físico-Química.
Temos metas curriculares que estabelecem objetivos claros para as disciplinas de Português, Matemática,
Educação Visual, Educação Tecnológica e TIC. Iremos continuar… Este ano, apresentaremos e discutiremos
as metas para outras disciplinas do ensino básico: História, Geografia, Ciências Naturais, Físico-Química e
Inglês.
Neste ano letivo, as escolas têm mais autonomia nos seus projetos educativos, mais autonomia para
estabelecer os seus horários, mais autonomia para distribuir os seus tempos e mais autonomia para criar
ofertas de escola. Iremos continuar.
Neste ano letivo, os pais têm mais liberdade de escolha. Os professores têm mais autoridade, com um
novo Estatuto do Aluno e Ética Escolar, que estimula o envolvimento de todos no trabalho e na convivência
escolares.
Temos mais avaliação, porque vemos a avaliação como um instrumento de apoio ao ensino.
Desenvolvemos e vamos consolidar uma cultura de acompanhamento e avaliação no final de cada ciclo de
ensino, assente no rigor, na responsabilização e na detecção precoce de dificuldades.
Iremos apoiar os alunos que revelem dificuldades. Queremos que os alunos progridam, mas o avanço tem
de reflectir a aquisição de conhecimentos.
Continuamos a valorizar e a dignificar o ensino profissional. Vamos investir na orientação escolar e
profissional e assegurar uma maior articulação entre as escolas e as empresas.
Estamos a criar uma nova oferta no básico: o ensino vocacional. Este ensino é uma via diferente do
chamado ensino regular e do ensino profissional. É uma via que se pretende oferecer a alunos que, em
determinada altura do seu percurso escolar, se adaptem melhor a um ensino mais prático e que se
entusiasmem através do contacto direto com várias atividades profissionais. É uma via que pretende abrir
possibilidades e não fechá-las. É uma via que, importa esclarecer, não é obrigatória — só pode ocorrer com a
concordância dos encarregados de educação. Vamos realizar um projeto-piloto e, posteriormente, ajustar a
oferta em função dos resultados.
O nosso objetivo é muito claro: melhorar o ensino em Portugal. O apoio à educação, o estímulo à
investigação e à ciência não é uma tarefa exclusiva de alguns, mas um projeto de todos.
Estamos muito conscientes das dificuldades económicas e financeiras que todos atravessamos. Por isso,
estamos a reforçar apoios aos mais necessitados, a iniciar programas de reforço alimentar e bolsas de
manuais escolares, ao mesmo tempo que gerimos os recursos públicos da maneira mais eficiente. Não é
crime acautelar a boa utilização do dinheiro dos contribuintes; não é um erro tentar otimizar os recursos
disponíveis.