I SÉRIE — NÚMERO 68
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história do nosso País, com o despedimento de 14 000 professores do sistema de educação nacional, e,
agora, promove um novo despedimento coletivo.
E qual é a alternativa? É a negociata das empresas privadas. Deu o exemplo da Conforlimpa — e muito
bem —, um caso em que os trabalhadores têm salários em atraso, têm direitos por receber. E aqui está um
caso de externalização da dita «modernidade», que mais não é do que entregar aquilo que são funções
fundamentais e contratos de trabalho permanentes a empresas privadas, para promover o negócio privado de
algumas empresas que ganham balúrdios de dinheiro à custa da exploração de trabalhadores.
Nos segundos finais de que disponho, quero registar o silêncio assustador das bancadas do PSD e do
CDS-PP relativamente a esta matéria. Não dizem uma palavra! E, se calhar, há aqui uma justificação. É que
importa recordar aquilo que foram as palavras de Passos Coelho, antes de ser Primeiro-Ministro, ainda a
tentar enganar os portugueses, na altura das eleições. De facto, quando, em 1 de fevereiro de 2011,
confrontado por jornalistas, falava das questões do Estado e do setor empresarial do Estado, o líder do PSD,
Passos Coelho, sobre despedimentos de funcionários públicos, disse que não concordava com a ideia.
Portanto, fica aqui claro que, antes das eleições, PSD e CDS-PP enganaram os portugueses e, por isso,
não têm qualquer tipo de legitimidade formal, democrática para implementar esta política e estas opções.
Assim sendo, este Governo já passou o prazo de validade, já está mais do que estragado. Temos de ir
para eleições para devolver ao povo aquilo que ao povo pertence.
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente: — A última declaração política é do Bloco de Esquerda. Tem a palavra a Sr.ª Deputada Mariana Aiveca.
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Num debate organizado pelo Governo para debater a reforma do Estado, e que não conseguiu juntar mais de 30 pessoas para ouvir Pedro
Passos Coelho, o Primeiro-Ministro anunciou o mais recente plano para combater a crise, um plano de
rescisões na função pública, apresentado como uma «oportunidade» para os trabalhadores.
Isso mesmo! Depois da emigração como possibilidade, o desemprego como oportunidade. Reconheçamos
que, a esse respeito, temos tido um Governo apostado em criar novas oportunidades a centenas de milhares
de cidadãos. Desde que tomou posse, temos mais 300 000 desempregados e há mais de 1 milhão de pessoas
sem emprego e sem receber qualquer tipo de subsídio.
Se ficar sem trabalho é uma oportunidade, como garante Pedro Passos Coelho, ninguém fez tanto por este
País como o atual Governo.
O desemprego está a matar a economia, afundando o País numa recessão crescente e teimando em
desmentir quinzenalmente os números de Vítor Gaspar. Depois de o Ministro das Finanças já ter anunciado
por três vezes o ano da retoma, para, por três vezes, lhe fechar a porta, o Governo avança com um plano de
rescisões na função pública.
Sejamos claros e diretos: o que está em curso é uma gigantesca campanha de chantagem sobre os
funcionários públicos, com a perversidade adicional de ser dirigida aos trabalhadores com salários mais
baixos, menor nível de escolaridade e média etária mais elevada.
A idade média dos escalões profissionais enunciados por Passos Coelho é de 45 anos. É a estas pessoas,
a maioria com mais de 20 anos de serviço e com uma idade a que o mercado de trabalho já franzia o sobrolho
quando ainda havia empregos para distribuir, que o Governo abre agora a porta de saída.
Para juntar o insulto à injúria, Passos Coelho ainda tem o topete de dizer a estes 150 000 funcionários
públicos que devem encarar o fim do seu emprego como uma «oportunidade».
Sr.as
e Srs. Deputados: Para avançar com esta chantagem, o Governo socorreu-se da mistificação e
desinformação do costume. Em primeiro lugar, dizendo que os funcionários dos escalões mais baixos recebem
mais do que no privado. Em segundo lugar, dando a entender que, durante anos e anos, nada foi feito para
diminuir o peso da Administração Pública.
Como vem sendo costume, ambas as afirmações são falsas e chegam mesmo a ser desmentidas pelo
estudo encomendado pelo Governo. Como se pode ver, a págs. 69 e 70 deste estudo, os técnicos menos
qualificados do Estado ganham menos do que os com idênticas qualificações no privado.