I SÉRIE — NÚMERO 62
16
economia começou a crescer. Foi justamente a partir do segundo trimestre de 2013 que ela começou a
crescer.
Isso significa que a partir de abril do ano passado até hoje a economia tem estado a crescer. O
desemprego tem estado a cair, não tanto quanto gostaríamos, mas tem estado a descer. E a verdade também
é que o emprego tem estado a subir, o que é importante, quanto mais não seja para estarmos bem cientes de
que a diferença na taxa de desemprego não resulta apenas do fenómeno da emigração, que também
aconteceu, significa também que há mais oportunidades que estão a ser geradas.
Significa, portanto, que, durante estes três anos em que nos deram o dinheiro — deram-no não apenas
porque não o tínhamos de outra maneira mas também para nos dar tempo de corrigirmos os nossos
problemas —, temos estado a corrigir os problemas.
Qual é o objetivo? O objetivo é o de se criar, para futuro, uma situação mais sustentável do que aquela que
tínhamos antes.
Se todos aqueles que nos puderem financiar concordarem que o País está nesse caminho de confiança, a
gerar melhores condições para futuro do que aquelas que nos conduziram à ajuda externa, o risco associado a
Portugal baixará. E se o risco baixar, baixam as taxas de juro. E se baixarem as taxas de juro, conseguiremos
financiar-nos, no futuro, em melhores condições do que no passado.
Quanto às taxas que já hoje estamos a defrontar, seja no curto prazo, como se comprovou hoje com
emissões a 6 meses e a 12 meses,…
O Sr. João Oliveira (PCP): — São insustentáveis!
O Sr. Primeiro-Ministro: — … em que nós tivemos custos significativamente inferiores, sobretudo a 6
meses, àqueles que tivemos no ano passado…
O Sr. João Oliveira (PCP): — São insustentáveis!
O Sr. Primeiro-Ministro: — … e que são perfeitamente sustentáveis,…
Protestos do Deputado do PCP João Oliveira.
… seja a 8 e a 10 anos, que são taxas ainda elevadas, mas que estão a convergir a uma grande
velocidade para taxas que também são sustentáveis, se é isso que estamos a obter do ponto de vista dos
credores externos, então isso deve querer dizer que estamos a fazer o nosso trabalho de casa bem feito.
Porque é que um compromisso, a médio prazo, em matéria orçamental, pode ajudar muito no momento em
que concluímos este exercício e vamos aceder plenamente a mercado? Porque, dado que o ciclo de governo
termina em setembro de 2015 e nós, quando emitimos dívida a 5, 8 ou 10 anos estamos a convidar os
investidores a confiar no País, não daqui até 2015,…
O Sr. João Oliveira (PCP): — Já está a arrumar as malas para setembro!
O Sr. Primeiro-Ministro: — … mas daqui até 2020, até 2024, é muito importante que os investidores
percebam que este caminho que temos trilhado, de correção destes desequilíbrios, não vai ser abandonado no
futuro.
Ora, não existe, na maior parte dos investidores, a certeza de que outros partidos, muito diferentes e que
têm representado, ao longo dos anos, um minoria na escolha dos portugueses, possam vir, no futuro, a ter
grande influência nos resultados dos governos futuros. Mas o mais provável é que o principal partido da
oposição possa vir a defender, um dia, uma posição diferente daquela que hoje o Governo defende. E se ela
for de modo a não respeitar esta trajetória, os investidores, apesar de reconhecerem que estamos a fazer o
que devemos, poderão desconfiar que, no futuro, um outro governo, com outra orientação, possa afastar-se
dessa obrigação.
O Sr. António José Seguro (PS): — Oh!