I SÉRIE — NÚMERO 25
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A Sr.ª Clara Marques Mendes (PSD): — Sr. Ministro, mesmo a terminar, faço-lhe umas perguntas porque,
efetivamente, aquilo que pensa e aquilo que faz o Partido Socialista nós já conhecemos e o que é importante é
explicar às pessoas o que tem sido feito por este Governo.
Em relação ao plano de emergência social, pergunto: a quem chegou, quem ajudou? Pedia-lhe que
explicasse como é que esse plano veio ajudar a combater esta temática.
Também gostaria de perguntar ao Sr. Ministro quais as medidas que têm sido tomadas no sentido de
combater o desemprego, uma matéria muito importante, e, combatendo o desemprego, apoiam-se as famílias,
sobretudo as famílias em que ambos os membros do agregado familiar, do casal, estão desempregados e têm
filhos a cargo.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — A próxima pergunta cabe ao Bloco de Esquerda.
Tem a palavra a Sr.ª Deputada Mariana Aiveca.
A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — Sr.ª Presidente, Sr. Ministro, como é que é possível que no mesmo país
onde há mais de 10 000 milionários por ano existam cada vez mais trabalhadores que, mesmo trabalhando,
são pobres. Combate às desigualdades, Sr. Ministro? Como é que é possível?
Como é que é possível que no mesmo país onde há mais de 10 000 milionários por ano exista um terço de
crianças pobres? Uma em cada três crianças está em situação de pobreza. Combate às desigualdades, Sr.
Ministro?
Como é que é possível que no mesmo país onde há mais de 10 000 milionários por ano os idosos
continuam na pobreza e as pensões mínimas continuam congeladas?
Disse-nos aqui o Sr. Ministro que há mais combate à pobreza nos idosos. Há, sim, mais desigualdade, Sr.
Ministro! Essa é que é a verdade!
Os números são duros, mas os números representam pessoas. Cada número representa uma situação de
pobreza. Onde está o combate à desigualdade?
É esta prova que o seu Governo deveria fazer. O senhor faz sempre intervenções circulares, que começam
sempre da mesma maneira: assacando responsabilidades anteriores, fazendo o choradinho daquilo que
encontrou, mas não assumindo as suas responsabilidades.
Durante o seu mandato e com este Governo, o País está mais pobre, porque as pessoas estão mais
pobres, as crianças estão mais pobres, os idosos estão mais pobres e não há combate às desigualdades.
É esta prova que o Sr. Ministro tem obrigação de, hoje, aqui fazer.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente: — A próxima pergunta cabe ao CDS-PP.
Tem a palavra o Sr. Deputado Nuno Magalhães.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Vieira da Silva, não vou responder-lhe
no mesmo tom, vou apenas dizer duas coisas.
Em primeiro lugar, registo que o Sr. Deputado, embaraçadamente, não respondeu às minhas três
perguntas que pediam só um «sim» ou um «não».
Em segundo lugar, queria dizer-lhe que a sua declaração ainda é mais surpreendente: ficámos hoje a saber
que não só o Partido Socialista acha que uma família que ganha 14 000 € por ano, brutos, é uma família rica,
como, ainda por cima, é contra o coeficiente conjugal.
O Sr. Vieira da Silva (PS): — Não seja demagogo! Mentira! Mentira!
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Estamos conversados! É, de facto, extraordinário!
Cada vez mais, o PS está, do ponto de vista da localização parlamentar, a deslocar-se em direção à
bancada da comunicação social!