O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 71

36

defendia a renegociação imediata da dívida pública como a solução para os graves problemas que o País

vivia.

Um dia depois, a 6 de abril de 2011, o Ministro das Finanças do Governo de José Sócrates dava conta de

que não existia nos cofres mais do que o suficiente para pagar dois meses de salários, prestações sociais e

para assegurar as diversas funções do Estado.

Com a solução do PCP, com um Estado descredibilizado internacionalmente, sem poder negocial face aos

credores e tendo que, para concretizar essa medida, não negociar, mas incumprir unilateralmente, ficou por

explicar que países ou entidades é que nos iriam emprestar o dinheiro de que já então necessitávamos, que é,

nada mais, nada menos, metade da riqueza nacional gerada num ano.

Na altura, o PCP ainda não assumia de forma taxativa o que hoje, mais às claras, assume: é preciso

preparar o País para a saída do euro. Na prática, se tivéssemos feito, há quatro anos, o que o PCP defendia,

teria resultado nesse desiderato e sem preparação prévia.

Entre a reestruturação unilateral da dívida, a saída do euro, a nacionalização da banca, a fixação

administrativa de preços e outras medidas que o PCP vem defendendo, há uma agenda que não é nem de

longe nem de perto inovadora. Reconheça-se a coerência, embora, permitam-me, persistir nos mesmos erros

e nada aprender com eles é um tipo de coerência de duvidosa qualidade.

Protestos do PCP.

Esse radicalismo ideológico vai passando mais ou menos incólume. Talvez pelo facto de a maior parte das

pessoas ter a consciência de que quem assim pensa não tem o poder executivo que lhe permita dar

cumprimento a essa agenda, muitos consideram que não valerá a pena sequer um escrutínio mais atento

dessas medidas fáceis para problemas difíceis.

O PCP corporiza a estratégia da unidade de frentes e aplica como ninguém a tática das reivindicações

parciais para os diferentes grupos e classes sociais que pretende seduzir. Daí que o discurso

compartimentado que tem para os professores, para os médicos, para esta ou para aquela classe de

funcionários públicos ou de setores da sociedade pode até soar bem porquanto a sua aplicação prática iria

sempre de encontro a muitos desejos individuais.

No entanto, se tudo isso fosse possível levar à prática, seriam exigidos recursos que o País não tem e que

a algum lado teria de ir buscar.

Aplausos do PSD.

Com a mesma ligeireza com que se apresenta uma solução miraculosa para a dívida, convive a suprema

incoerência de se desvalorizar sistematicamente a necessidade de equilíbrio das contas públicas e de só se

apresentar propostas setoriais, que, a ser implementadas no seu todo, agravariam irremediavelmente outros

problemas que pretendem resolver.

Nestes quatro anos, muita coisa mudou internacionalmente. Houve países que, na Europa, beneficiaram de

reestruturações significativas da dívida, mas nem assim essa realidade foi suficiente para desobrigar da

necessidade de reformas.

A saída iminente de um país do euro poderá dar, a prazo, mais um exemplo prático de que os modelos e

ideias que o PCP preconiza resultariam no isolamento do País face ao exterior e em consequências mais

negativas do que positivas para as populações. Mas oxalá, a bem desse povo, que tal não aconteça.

Aplausos do PSD.

Na Venezuela, até agora apresentada por alguns paladinos da esquerda do nosso País como um modelo

social a seguir, luta-se pelos direitos humanos, contra as perseguições políticas, ao mesmo tempo que a

inflação cavalga e os bens alimentares escasseiam nas mercearias.

O Sr. João Oliveira (PCP): — Não diga mal da Venezuela, porque o Paulo Portas passa lá a vida!