29 DE JANEIRO DE 2021
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O Sr. Ministro da Administração Interna: — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Estamos aqui, hoje, naquele que é o décimo debate sobre a aprovação de um decreto do Sr. Presidente da República, estabelecendo
mais um período de duas semanas de estado de emergência.
Estamos na sequência de um período que, desde novembro, nos tem trazido num combate muito difícil que
tem mobilizado toda a sociedade portuguesa. Mas estamos num momento particularmente crítico, em que a
dimensão global desta pandemia atinge uma evidência que evita e torna escandalosa toda a demagogia e
aproveitamento populista da tragédia global que estamos a viver.
Aplausos do PS.
Nesta semana — alguns terão estado distraídos —, atingiu-se, a nível global, 100 milhões de infetados pela
pandemia, e na Europa ultrapassaram-se os 30 milhões de cidadãos infetados. É esta dimensão que hoje
mobiliza uma resposta global da Organização Mundial de Saúde àquela que é a resposta europeia que, ao longo
de toda esta semana, tem estado a tomar medidas mais exigentes que estabelecerão a limitação de contágios
no quadro europeu, restringindo a circulação de pessoas. É nesse quadro que, também em Portugal, estamos
a fazer este debate.
É por isso que, se registo como elemento positivo a circunstância de, mais uma vez, termos esta declaração
de estado de emergência aprovada por mais de 90% dos Deputados da Assembleia da República, mobilizando
todos os órgãos de soberania — Presidência da República, Governo e Assembleia da República —, não posso
deixar de referir a forma como a direita está a acompanhar este debate, a meio caminho entre a amnésia e o
espírito do comentador de futebol que, à segunda-feira, sabe tudo o que correu mal no jogo do domingo passado.
Aplausos do PS.
Quando se exige sentido de responsabilidade e coesão nacional, a amnésia daqueles que esquecem que
ainda há duas ou três semanas estavam aqui a pôr em causa a abertura dos restaurantes só durante a manhã
de fim de semana,…
O Sr. João Paulo Correia (PS): — Bem lembrado!
O Sr. Ministro da Administração Interna: — … e que, sim, Sr. Deputado Rui Rio, diziam que quer no comércio, quer na restauração era fundamental, pelo menos, estarem abertos até às três da tarde.
Aplausos do PS.
Foi por isso que dissemos aqui que a alternativa era entre isso e aquilo que temos hoje — o confinamento
global que, infelizmente, vamos ter de seguir, tal como tantos países europeus.
É por isso, também, que é muito estranho que hoje, aqui, aqueles que puseram em causa a limitação de
contágios, adotada no quadro das medidas em momentos anteriores, venham dizer: «Mas porque é que no
Natal não adotaram medidas diferentes? Porque é que nos períodos anteriores não adotaram medidas mais
restritivas?», esquecendo-se que não há memória de que algum desses tenha defendido quer no Natal, quer há
duas ou três semanas a adoção de qualquer medida mais restritiva.
Aplausos do PS.
É neste quadro que, hoje, estamos confrontados com aquilo que nem o Primeiro-Ministro Boris Johnson tinha
consciência, no período de Natal. Estamos confrontados com a evidência científica de uma dimensão de
projeção da chamada «variante britânica» que, hoje, é responsável, com base na melhor informação disponível,
por 30% dos novos casos a nível nacional e por 50% dos casos na área de Lisboa e Vale do Tejo.
É por isso que, quando verificamos um terrível crescimento do número de óbitos, um crescimento do número
de casos e um aumento de casos ativos que ultrapassou os 170 000, isto é, duplicou desde o início deste mês,
temos de, corajosamente, tomar as medidas adequadas e necessárias para este momento.