I SÉRIE — NÚMERO 60
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Para definir políticas públicas também temos de saber quais são as que resultam e as que não resultam,
por isso também vale a pena olhar para o caminho que fizemos nos últimos anos — e digo propositadamente
«fizemos», na primeira pessoa do plural. A verdade é que quando olhamos para a percentagem de população
em risco de pobreza, vemos que, em 2015, nas mulheres, era de 27% e, agora, é de 22%; quando olhamos
para a taxa de desemprego das mulheres, vemos que era de 13%, em 2015, e que, agora, é de 7,3%; quando
olhamos para o emprego precário, vemos que também reduziu significativamente, de 3% para 1,7%, segundo
dados do INE durante este período.
Ou seja, sabemos quais são as políticas que promovem maior igualdade entre homens e mulheres e são
as políticas que estamos a desenvolver, desde 2015. É evidente que uma crise tem um impacto brutal e
significativo, mas é com as políticas que já criámos e com o seu desenvolvimento que vamos continuar a
reduzir a pobreza entre as mulheres, a reduzir as desigualdades salariais, a reduzir a precariedade laboral.
Por isso, como já aqui citei hoje longamente, tanto as medidas de emergência que criámos, como as
medidas que incluímos no Programa de Recuperação e Resiliência permitem responder a essas
desigualdades, majorando apoios no sexo representado nas profissões, garantindo que, na formação e nas
áreas digitais, há promoção da igualdade e que, no grande esforço que o País vai fazer na formação das áreas
da ciência, da tecnologia, matemática e afins, existe também esse contributo das políticas de igualdade para
esta correção.
Relativamente à resposta sobre as questões da violência doméstica, no plano que desenvolvemos a partir
de 2019, procurámos desenvolver formação para todas as áreas que respondem a esta questão, desde o
âmbito da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, às polícias e à área da justiça. A ideia
era construirmos um plano anual de formação, que está hoje publicado, e o nosso objetivo é formar 13 000
pessoas neste pacote de financiamento que agora aprovámos. O INA (Direção-Geral da Qualificação dos
Trabalhadores em Funções Públicas) estava a terminar a constituição das turmas e, portanto, as próximas
semanas irão mesmo ser neste sentido.
Foi preciso fazer algo que não existia e nós procurámos fazê-lo: um plano comum que tem, obviamente,
diferenças entre os setores, mas que tem um tronco comum para responder a esta matéria. Uma das críticas
feita ao País era relativa ao facto de as formações aos diferentes agentes não ter cruzamento entre si, de não
se articularem na resposta. É isso que aqui procuramos promover e a formação já está financiada e vai iniciar-
se.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra, para formular perguntas, o Sr. Deputado André Ventura, do Chega.
O Sr. André Ventura (CH): — Sr. Presidente, cumprimento a Sr.ª Ministra e os Membros do Governo. Sr.ª Ministra, queria fazer-lhe uma pergunta à qual ainda não deu resposta nas várias intervenções que
foram feitas e, hoje, dificilmente, não poderá deixar de a dar. Vai ou não manter o ativista Mamadou Ba no
Grupo de Trabalho para a Prevenção e o Combate ao Racismo? Não vou fazer-lhe mais nenhuma pergunta
para que possamos saber todos, hoje, finalmente, se vai mantê-lo ou não. Alguém que chamou «bosta» aos
nossos polícias, que disse que queria matar os homens brancos,…
Risos da Deputada do BE Fabíola Cardoso.
Não se ria, Sr.ª Deputada! Um dia pode ser a si também!
Merecemos uma resposta da Ministra de Estado a dizer se vai manter um elemento destes, um ativo tóxico
destes num grupo de trabalho do seu Ministério, debaixo da sua tutela.
A Sr.ª Fabíola Cardoso (BE): — Ativo tóxico? Boa expressão!
O Sr. Presidente: — Para responder, tem a palavra a Sr.ª Ministra de Estado e da Presidência.