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25 MAIO DE 1985

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vadoras e criadoras no seio de uma sociedade que se busca a si própria. Perante este panorama social a atitude da juventude tem sido muitas vezes de desalento, de procura de soluções fáceis e ilusórias, tais como a droga, o roubo, o alcoolismo, a prostituição. Assim, a função social dos jovens tem sido amordaçada, a sua força criadora e impulsionadora não tem sido aproveitada.

A juventude tem um papel essencial na mudança de mentalidades, no abandono de preconceitos, na criação de um ambiente social são e livre contra a discriminação social, contra o racismo e todas as formas de exploração. Tal função tem ficado bem expressa numa outra grande área particularmente sensível para a juventude — a defesa do meio ambiente e da paz.

São, pois, os jovens os primeiros a aceitar ou rejeitar novos valores sociais, estando sempre, dinamicamente, na vanguarda das transformações sociais. Assim, são de facto os jovens o motor da sociedade, o seu referencial, ousando assumir discursos novos, novas formas de estar na vida. ê grande o seu papel no desenvolvimento e progresso social, porque possuem espírito de iniciativa e são muitas vezes quem está melhor apetrechado técnica e culturalmente.

Quanto à forma de participação que os jovens têm encontrado é necessário salientar três grandes áreas: associações de estudantes, autarquias locais e associações culturais.

Assim, cabe aqui particular relevo ao movimento associativo nas escolas, dinamizando experiências de grupo e buscando novas soluções que visem tornar as escolas centros vivos em que haja a participação dos estudantes, muitas vezes desmotivados perante a aridez dos programas e a falta de condições pedagógicas. Ê segundo esta óptica que se reconhece o valor do movimento associativo, quer antes do 25 de Abril, como prova de resistência e irreverência, quer depois do 25 de Abril, como organização, polarização e participação dos estudantes no sentido de defenderem os seus interesses e de proporcionarem a si próprios a melhoria da escola na sociedade. Tem este movimento associativo um peso bastante grande na dinamização das escolas, um poder de crítica e de denúncia de situações injustas.

A nível das autarquias locais desempenham os jovens um papel sócio-político da maior importância. Ê por aí que passa a «revolução» social e cultural que é necessário fazer; é aí, em contacto directo com as populações, que se deve tentar modificar as mentalidades, que se devem lançar campanhas de alfabetização. Ê ainda nesse âmbito que os jovens podem avançar com experiências de grupo: implementação de grupos de teatro, animação cultural dos centros de convívio e de bibliotecas, de trabalhos arqueológicos e antropológicos, na preservação do artesanato e formas de cultura tradicionais e de tantas outras actividades participativas que os jovens podem e querem desenvolver, sendo os pólos dinamizadores de desenvolvimento regional e de mudanças de mentalidades, sendo também aqui o tema: Participar para transformar.

Também se tem sentido de forma importantíssima a participação activa e desinteressada dos jovens em associações culturais, desportivas e recreativas, contribuindo de forma decisiva para o esbatimento de diferenças sociais e culturais e lutando contra o isolamento a que muitas populações têm sido votadas.

Participação não é, pois, palavra vã na boca e acção dos jovens, embora ultimamente as formas de participação tenham assumido foros eminentemente contes-tativos, ao mesmo tempo que se nota um progressivo alheamento da juventude.

Ê aqui que assume particular importância a existência de organizações juvenis.

A reflexão acerca do papel destas organizações deverá atender ao facto de que há especialmente duas grandes áreas organizativas que congregam os jovens: as organizações partidárias de juventude, que têm um referencial ideológico e uma acção eminentemente partidária de conquista do poder e que se encontram geralmente afectas a partidos políticos; e aquelas organizações não partidárias, que chamam a si os jovens que não se reconhecem partidariamente, agrupando-se em volta de objectivos ecológicos, culturais, desportivos, formativos, religiosos, humanistas, etc.

Cada um destes dois tipos fundamentais de organização juvenil tem aspirações próprias e uma função social específica. Após o 25 de Abril foram as organizações partidárias de juventude quem melhor soube aproveitar a participação da juventunde, no entanto, cedo se registou um alheamento progressivo da juventude perante determinados objectivos políticos, de modo que actualmente as grandes clivagens presentes na juventude dos nossos dias têm referências culturais, mais do que referências partidárias. Muitos jovens, apesar de socialmente participativos, têm recusado a partidarização.

Ê aqui que é necessário haver uma profunda reflexão por parte das organizações juvenis de modo a que possam cumprir mais plenamente as suas tarefas em termos sociais, quais sejam fomentar o associativismo, tentar atrair os jovens para a discussão, congregando-os em torno de um ideal ou de uma acção comum, permitindo assim o desenvolvimento de uma consciência de participação. Só assim poderão os jovens, ao mesmo tempo que se enquadram em organizações com objectivos coerentes, assumir conscientemente as criticas que fizerem, ê, pois, necessário que as organizações de jovens repensem o seu modo de actuação, não copiando os modelos esteriotipados nem assumindo discursos modelares, ê necessário, para bem cumprir as suas tarefas, que procurem novas formas de intervenção, que seiam capazes de mobilizar os jovens, indo ao encontro dos seus desejos de independência, de autonomia e de diferença.

Em primeiro lugar, terão as organizações de juventude de pugnar por uma efectiva e real política de juventude, ao mesmo tempo que procurarão encetar formas de participação organizada dos jovens na sociedade, contribuindo para o melhoramento das relações sociais, da consciencialização política e cultural face aos problemas.

As organizações de juventude são eminentemente «grupos de pressão», apelando à participação, à militância, à reflexão e à crítica fundamentada. Acima de tudo têm de ser capazes de criar um espaço de intervenção, de modo a possibilitar a intervenção social dos jovens, não deixando que estes recusem a participação por falta de estruturas juvenis de enquadramento. Ê evidente que é da própria dinâmica dos jovens que devem partir as acções a realizar, não deixando, porém, de ser evidente que é ao Estado que compete fomentar o apoio a determinadas associações no âmbito cultural e desportivo.