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II SÉRIE — NÚMERO 92

Podem ainda as organizações de juventude fomentar a criação de postos de trabalho, mediante a formação de cooperativas.

Por aqui se vê a importância que assumem as organizações juvenis, até porque são muitas vezes as estruturas que medeiam entre o meio familiar e a sociedade, assumindo autênticas funções de formação, possibilitando a correcta inserção social dos jovens.

Visto deste modo, o binómio participação-juventude é uma realidade operante que é necessário preservar e fomentar, não deixando, por falta de vontade, que os jovens fujam à sua responsabilidade social. O futuro é dos jovens e este será o que as condições actuais permitirem que a juventude seja. Não caiamos, pois, em demagogias ou em soluções momentâneas.

Aplausos.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra a Sr.a Maria Antónia Catalão.

A Sr." Maria Antónia Catalão (Movimento das Guias de Portugal): — Não vou fazer nenhum discurso, mas referir-me apenas a um aspecto que, sendo importantíssimo, é normalmente ignorado. Tenho participado em vários encontros de jovens, onde são focados o aspecto político e o aspecto económico, mas um é normalmente passado para segundo lugar, e eu considero-o mesmo importante: o do popel do jovem no desenvolvimento da comunidade com trabalho directo e voluntário.

Normalmente, associa-se «ocupação de tempos livres» ao desporto, à cultura, à arte, etc, mas, normalmente, desligados de um todo, da realidade.

Todos temos consciência de que há um mundo a construir, há imenso trabalho para fazer e quem vive na província sente isso com muito mais força, e há jovens cheios de boa vontade para colaborar voluntariamente, mas, na realidade, pouco se fez.

A n/vel dos serviços que servem a comunidade verifica-se que há uma desarticulação enorme. Por um lado, estão as autarquias; por outro, a educação, a saúde, a agricultura e a segurança social. Os serviços ignoram-se uns aos outros, funcionam como compartimentos estanques e, por vezes, parecem autênticos guetos.

Penso, pela experiência que tenho, que um dos maiores entraves que temos a nível de país, quanto ao desenvolvimento, é a falta de aproveitamento dos recursos humanos e materiais existentes.

Permanentemente fazem-se inquéritos, mesmo a nível de jovens do ensino superior, e ninguém sabe para onde vão esses estudos. Ficam na gaveta, não aproveitam nem servem a ninguém! Temos de saber o que queremos.

Na comunidade há um espaço muito grande para os jovens. Há grupos que precisam deles, quer a nível de infância, de idosos, de deficientes ...

A comunidade tem de encontrar «respostas» adaptadas à realidade actual. As respostas tradicionais têm de dar lugar a novas respostas!

O jovem deve participar activamente na comunidade, pois com a sua criatividade vai ajudar a construir a sociedade futura.

Tem de apostar na mudança e, se conseguir ajudar a «quebarar» o individualismo em que as pessoas e os grupos vivem, a participação do jovem já valeu a pena.

Não estou aqui propriamente como jovem, pois já estou numa idade adulta, mas a verdade é que sinto isto e tenho a impressão de que só com o esforço deles é possível dar esta volta, que é absolutamente necessária para nós enfrentarmos o futuro como uma realidade absolutamente diferente.

Aplausos.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra a Elisabete Figueiredo.

A Sr.0 Elisabete Figueiredo (Amigos da Terra — Associação Portuguesa de Ecologistas):—Antes de começar a falar no tema que agora é proposto, queria primeiro dar uma espécie de resposta a uma intervenção que foi feita acerca do assunto anterior, da importância de se falar de passarinhos e de flores.

Realmente pode, à primeira vista, parecer despropositado falar acerca deste assunto. Pode parecer desinteresse, camuflagem —ou o que lhe quiserem chamar—, aos assuntos-problemas que exigem, de facto, uma solução imediata. Mas, se, ao falarmos dessas flores e desses pássaros, quisermos significar que para os jovens existe ainda, desde que eles assim o queiram, uma alternativa de vida que possibilite a fuga às grandes cidades e o encontro com a paz própria e com a vida, não é, de facto, uma escolha fácil ou uma troca muito sugestiva para aqueles que, habituados a viver em cidades que continuam macrocéfalas — como o são Lisboa e Porto, principalmente —, desconhecem os encantos das peqenas cidades e aldeias e dos inúmeros trabalhos que aí se podem desenvolver.

Falar de flores e passarinhos não é, em meu entender, uma fuga aos problemas, mas colocá-los de uma outra maneira que possibilite aos jovens, e aos que já o foram, uma nova vida, em harmonia e de acordo com o equilíbrio natural da Terra. Se vivemos numa sociedade que não nos satisfaz em muitos pontos já aqui focados, é a nós, os que não estão de acordo com ela, que nos cabe escolher um outro caminho, nem que seja — e ainda bem se assim o for! — falando de «flores e de passarinhos».

Entrando no tema que agora é proposto, vou abordar o papel dos jovens na transformação social.

Desde sempre foi atribuído aos jovens um pape! de transformadores sociais, e esse atributo é, de facto, uma realidade.

Os jovens, para além de serem «sangue fresco», são também portadores de ideias novas, de novas concepções acerca da sociedade, do mundo, da vida, da política, da religião, etc.

Actualmente, cada vez mais os jovens estão desempenhando um papel de transformadores sociais, pois é nesta nossa época que se atingiu ou que poderia, ser chamada a «ascensão para o clímax» da degradação das formas de vida, quer humanas, quer animais e vegetais.

A luta ambiciosa e desenfreada do homem em direcção ao Poder e à conquista de bens materiais tem levado a que se esgotem praticamente todos os recursos de energia não renováveis, tem levado à invenção de armas cada vez mais sofisticadas e perigosas, tem levado à exploração desenfreada dos países ditos subdesenvolvidos pelos outros, os ditos desenvolvidos.