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25 DE MAIO DE 1985

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A desmedida ambição do homem tem levado à destruição da Terra e da sua maravilhosa natureza, que nos alimenta e sustenta.

Actualmente, apenas com fins lucrativos, para a obtenção de produção máxima para o máximo rendimento, são usados, sobre o solo e culturas, pesticidas e outros venenos mortíferos, que têm como objectivo a destruição dos parasitas das plantas ... mas que, para além disso, podem levar também, a médio e longo prazos, à destruição do organismo humano ou, na melhor das hipóteses, ao aparecimento de tumores cancerígenos. Desde a Revolução Industrial até aos nossos dias, a maquinaria industrial tem aumentado vertiginosamente e os resíduos industriais também — são eles os principais responsáveis pela poluição da atmosfera, dos rios, dos oceanos, da Terra!

Ê simultaneamente ridículo e frustrante pensar-se que o homem pode morrer asfixiado pela própria estrutura social que criou.

Por isso, e cada vez mais, os jovens são os elementos activos de uma mudança social. Como tal, devem os jovens ser os transformadores das estruturas sociais.

Ê devido precisamente a estas ameaças constantes que hoje sofremos, e que temos vindo a sofrer desde há algumas décadas, que os jovens se unem em organizações juvenis que, evidentemente, têm de passar pela ecologia.

Recuperar o que está perdido é tarefa impossível e utopia comum a muitos de nós ... mas é possível, sem dúvida, preservar o que resta e recuperar o que ainda não está totalmente degradado — é essa a motivação dos jovens de hoje!

Devem os jovens desempenhar activamente o papel de transformadores sociais, quer através de associações ecologistas, quer através de outro tipo de associações, desde que estejam coerentes com os princípios e objectivos mínimos da ecologia, embora se possam intitular de qualquer outra coisa.

No fundo, só a ecologia pode servir de base a uma transformação social completa e, sem dúvida, para melhor!

Aplausos.

O Sr. Presidente:—Tem a palavra o nosso amigo Jorge Patrício.

O Sr. Jorge Patrício (Comissão de Juventude da AR — PCP): — Antes de mais, queria dizer o seguinte: pretende-se, em algumas intervenções, ao falar-se dos problemas de que estamos aqui a tratar, falar no vago, sem ter em consideração as razões da existência dos diversos problemas que, constantemente, em diversas intervenções, se têm focado nesta Conferência.

Os intervenientes apoiam-se, inclusivamente, em outras palavras, com o objectivo talvez de esconder ou de não serem tão claros como se exigia que fossem, e ainda há pouco ouvimos falar do poder político instituído, do Estado, como causador de todos os nossos problemas.

Creio que é necessário, para além das posições políticas que nós temos, sermos claros c dizer que não é o Estado que tem a culpa disso, que não são nem o Estado nem a Constituição os responsáveis pela situação dos jovens em Portugal.

Os problemas não aparecem de forma isoladaa, não caem do céu. Se eles não são resolvidos, não é porque eles teimem em continuar, mas sim porque não é executada uma política que os resolva. Creio que nós não podemos fugir desta questão.

£ para nós inquestionável que a participação individual e colectiva dos jovens em todos os aspectos da nossa vida se reveste de uma extrema importância. Ê até indispensável essa participação para a transformação social, e a juventude portuguesa já deu e continua a dar provas desse seu empenhamento.

Não podemos esquecer a luta travada pelos jovens portugueses contra a criminosa guerra colonial, contra o tirânico e repressivo regime fascista, derrotado em 25 de Abril. E é importante lembrar que o 25 de Abril aconteceu também pela participação da juventude, quer no mundo do trabalho, quer nas escolas, através da reclamação e da luta pelo exercício dos seus direitos democráticos e pela justiça social, contra a ditadura fascista.

Não é de mais lembrar as acções do movimento associativo estudantil em defesa dos seus direitos — pela liberdade de pensamento e de associação—, bem como o movimento da juventude trabalhadora, que sempre lutou pela democracia, pela dignificação das condições de vida e de trabalho. Assim como não podemos esquecer também a sua participação activa no desenvolvimento das inevitáveis transformações políticas, económicas, sociais e culturais realizadas no seguimento do processo revolucionário, que se encontram consagradas na Constituição da República Portuguesa e que se impõe, no momento presente, defender.

São dois períodos da nossa história recente que demonstram a importância da juventude na transformação social.

Ê a prova de que os jovens estão vitalmente interessados no progresso social, no desenvolvimento económico do nosso país. Porque isso tem a ver com a satisfação das suas necessidades e aspirações, com a melhoria da sua qualidade de vida, tem a ver, ao cabo e ao resto, com o seu futuro.

Impunha-se, neste nosso novo tempo de Abril e no Ano Internacional da Juventude, que ela fosse chamada a participar, com a sua capacidade e energia, para, ao lado do povo português, levar por diante as tarefas do desenvolvimento económico e do progresso social.

Foi e é por tais objectivos que aconteceu Abril.

Foi e é também por isso que foi proclamado o Ano Internacional da Juventude.

Mas a verdade é que, contrariando esses objectivos, esse nosso potencial de energia está a ser continuamente desaproveitado, com resultados desastrosos para a juventude e para o País.

Qualquer análise objectiva da situação em que hoje vivemos levar-nos-á a esta conclusão. Mas também nos levará a encontrar as suas causas e sobre quem recaem as responsabilidades de tal situação. É o resultado da aplicação de uma política errada, que contraria os objectivos do 25 de Abril e a Constituição da República e que tem como principal consequência o aumento assustador do desemprego juvenil, o agravamento das más condições de trabalho, associado à acelerada degradação do sistema educativo, à falta de habitação e de tantas outras coisas.