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22 DE MARÇO DE 1997

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relação entre arte e tecnologia, ou arte e ciência. Com efeito, os novos suportes tecnológicos obrigam a uma redefinição dos limites entre arte, corpo e tecnologia e abrem novas perspectivas à criação contemporânea. O fascínio e a curiosidade que actualmente existem pelas novas tecnologias aplicáveis à criação artística, apesar do ainda reduzido domínio dos meios e possibilidades, permite um certo optimismo e expectativa neste domínio.

Este é o momento da revolução, da mudança radical na forma como encaramos a nossa cultura e as suas configurações, a abordagem específica das linguagens emergentes do multimédia permite-nos compreender e agir de acordo com o espírito do tempo.

No contexto europeu, da consolidação de uma indústria de conteúdos centrada sobre os eixos do multimédia e da cultura, os artistas terão um papel determinante para garantir a qualidade das abordagens encontradas.

A vanguarda artística europeia tem hoje dificuldades acentuadas no contrato com as novas tecnologias. A existência de instituições locais como o ZKM, de Karlsruhe, o Ars Electronica Center, de Linz, a Artech, de Londres, a Art 3000, de Paris, a V2, de Amsterdão, ou, eventualmente, o Estaleiro de Comunicação, Tecnologia e Arte de Lisboa ou a Escola de Arte e Tecnologia da Madeira, são já sinais de uma dinâmica crescente de colaboração público-privado no apoio aos artistas.

A dimensão imediatamente globalizante de qualquer intervenção nesta área pode e deve ser assumida por instituições de nível nacional e transnacional de definição de políticas nesta área.

Traduz-se isto, no caso português, por uma linha de acção, claramente da responsabilidade do Estado e, em particular, do Ministério da Cultura, que diz respeito ao apoio à criação e ao cruzamento de arte e tecnologia como factor de desenvolvimento cultural e, consequentemente, social.

Estamos a apoiar os artistas que, na sua obra, façam uso das novas tecnologias como meio de expressão, na convicção de que o acesso dos criadores artísticos às tecnologias de informação e comunicação provoca não só efeitos directos no aparecimento de novas formas de expressão artística, mas também efeitos induzidos ao nível da inovação e criatividade da produção do multimédia.

Estamos, em conjunto com a EXPO 98, a lançar as bases para a futura existência em Portugal de um estaleiro de comunicação, tecnologia e arte, destinado a artistas, criadores e produtores na área do multimédia, à semelhança de modelos já existentes na Europa'e nos EUA, num quadro de cooperação público-privado.

Estamos a apoiar festivais, encontros e prémios na área do multimédia e da arte.e tecnologia, como forma de promoção e estímulo da qualidade de produção portuguesa nesta área.

2 — Tendências e cenários de evolução:

Existe uma tendência para a globalização, económica, cultural, social e comunicacional, das sociedades contemporâneas, acompanhada por uma outra tendência igualmente forte e nítida de valorização da diversidade e especificidade culturais, através da manutenção de identidades próprias.

No domínio concreto da actividade das instituições culturais em análise é possível identificar claramente várias tendências de evolução, com previsível desenvolvimento a médio prazo e uma vez ultrapassados alguns dos obstáculos enunciados, correspondendo à convicção geral

de que a missão cultural das instituições é renovada e apresenta novos objectivos:

2.1 — Tendência para a digitalização da informação sobre o património cultural. — A medida que se caminha para a globalização dos intercâmbios culturais e para a consagração das instituições culturais como plataformas de comunicação e de ampla divulgação do seu património, torna-se cada vez mais necessária a constituição de uma rede cultural portuguesa abrangente que integre as bases de dados sobre o património arquitectónico, as colecções de museus, os espólios arqueológicos e os acervos de bibliotecas, cinematecas e arquivos do território nacional.

Empreender essa tarefa representa um enorme esforço. de renovação por parte das instituições envolvidas no processo, implicando a reestruturação de muitas áreas centrais da sua actividade.

Trata-se de um processo que trará inquestionáveis benefícios ao nível da gestão de recursos humanos e financeiros e da gestão do património cultural, pelo aparecimento de novos mecanismos que asseguram uma maior eficácia na salvaguarda e protecção de acervos e colecções e a possibilidade de recriação do passado através da reconstituição virtual de contextos arquitectónicos, pelo surgimento de novos instrumentos para a prática da conservação preventiva e de intervenções de restauro e pelas possibilidades de um acesso facilitado a novas metodologias de inventariação, práticas de investigação e edição, através das contribuições que o tele-trabalho e o comércio electrónico poderão trazer para esta área de actividade.

As inovações decorrentes deste processo de renovação proporcionarão igualmente benefícios inestimáveis para o cidadão, para as comunidades e regiões que detêm o património cultural e para o público em geral, abrindo novas perspectivas de intercâmbios culturais, possibilidades de acesso da informação a escolas e universidades, criação de novos itinerários turístico-culturais e o aparecimento de novas profissões no domínio da gestão cultural, reforçando o papel das instituições nos serviços e produtos que serão oferecidos pela sociedade de informação.

2.2 — Tendência para o!aumento da utilização das facilidades de rede. — A evolução a registar-se neste domínio terá duas vertentes:

Um nível interno,' corii a ligação em rede dos serviços dependentes entre si;

Um nível externo, através da Internet e de terminais com diferentes níveis de acesso a escolas, universidades e ao público em geral.

Esta evolução consubstancia-se em duas convicções: a necessidade de ter acesso e de dar acesso, isto é, a consciência de que o público deve ter a possibilidade de aceder à biblioteca, ao museu, ao arquivo, a partir do emprego, de casa, d&.outras instituições culturais, e a possibilidade de ter acesso a intercâmbios de informação com outras instituições culturais no território nacional e além--fronteiras, com todas as perspectivas que logo se definem relativamente ao desenvolvimento de projectos de parceria, troca de experiências, participação em grupos de trabalho, etc.

A necessidade de providenciar o maior acesso da cultura aos cidadãos constitui hoje uma prioridade e eixo programático das actividades das instituições culturais, objectivo que aliás presidiu à criação da Iniciativa Mosaico.

No diploma de criação da Iniciativa Mosaico, uma das competências enunciadas, que consubstancia uma das linhas programáticas da política cultural na área do