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9 | II Série C - Número: 013 | 24 de Novembro de 2006


— Mega-prostíbulos temporários às portas dos estádios, que chegam a ter 3000m
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, com 70 quartos para a performance sexual de 600 clientes diários, chuveiros e máquinas de preservativos e sandwiches; — Ruas inteiras alocadas à prostituição; — Serviços de atendimento de 1.ª classe; — Sex car parkings; — Bordéis móveis; — «Garagens do sexo»; Sexo com qualidade e higiene parece ser o lema.
Costuma dizer-se que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo. Agora, o que é novo é a dimensão espectacular do negócio do sexo associado aos grandes eventos desportivos. É agora ou nunca, a ocasião de evitar que isto se torne uma regra para o futuro. É a globalização da indústria do sexo.
Já nos Jogos Olímpicos de 2004 na Grécia se notaram as primeiras grandes movimentações, mas o Mundial 2006 arrisca-se a ficar para a história como o maior bacanal de sempre.
Há quem veja no Mundial da Alemanha uma santa aliança entre futebol, sexo e cerveja, uma máquina capaz de produzir lucros multi-milionários, que nunca chegarão às suas principais vítimas: as mulheres exploradas sexualmente à força. Esta fórmula é vendida como o elixir para todos os estados de alma dos fans do futebol: servem para celebrar as vitórias e para consolar as derrotas. Todos os espectadores são alvos potenciais desta indústria.
Isto não pode ser apenas um conflito entre o dinheiro e a moral. É um conflito entre os que manifestam o mais abjecto desprezo pelos direitos humanos, e aqueles cuja consciência recusa a nova escravatura do século XXI.
Um estudo do Departamento de Estado dos EUA estima que são traficadas anualmente entre 600 000 e 800 000 mulheres e raparigas, 100 000 das quais no próprio espaço da União Europeia.
O corpo de um ser humano não pode ser tratado como uma mercadoria que se compra e se vende.
Este é um sinal errado que se dá às nossas crianças: o de que se pode comprar ou vender outras pessoas.
Existem estimativas de que, na Holanda, a indústria do sexo representa 5% do PIB.
Em Colónia, o município introduziu há dois anos uma «taxa de sexo» de € 150,00 por prostituta, por mês.
A indústria do sexo tem lucros anuais superiores a 12 biliões de US$, mas as mulheres são quem menos recebe. E uma mulher traficada pode ter uma cotação no mercado da nova escravatura de 30.000 US$.
Mas poderá o trabalho sexual ser considerado como um sector de actividade económica como outro qualquer? Iremos acabar a dar subsídios e cursos de formação profissional de sexo para jovens ou prostitutas desempregadas? Onde é que isto vai parar? Tenhamos consciência de que esta situação está a assumir proporções alarmantes.
O chamado turismo sexual tem muito a ver com isto também. E a indústria turística e hoteleira tem uma grande responsabilidade social e cívica, e deveria adoptar um código de ética, demarcando-se da prostituição e condenando o tráfico de seres humanos para fins sexuais, ou outros.
Outra abordagem possível é a de colocar os consumidores debaixo de pressão. Veja-se o caso da lei sueca de Janeiro de 1999, onde o consumo de prostituição é que foi criminalizado, não a sua prática. Em 2001 a prostituição tinha baixado em 80% na rua, e em 50% nos clubes, hotéis e outros meios.
Há que sensibilizar os clientes da prostituição. Alertá-los para não aceitarem fazer sexo com mulheres que claramente evidenciem estar em situação de escravatura sexual, com sinais de maus-tratos, medo e desorientação, ou com aparência de serem raparigas de menos idade. E, quando tenham conhecimento de mulheres nestas circunstâncias, denunciem as situações, mesmo que o façam de maneira anónima.
Há muitas ONG, sindicatos, partidos políticos e as próprias igrejas preocupadas com o Mundial da Alemanha, mas não só, que o fenómeno é muito mais vasto, e esta é uma luta para continuar.
A campanha «Cartão Vermelho à Prostituição Forçada» pretende unir espectadores e jogadores e entidades do futebol na luta contra o tráfico de mulheres. Mas até agora nem as federações nem os jogadores responderam ao apelo.
O Presidente da FIFA, Sr. Joseph Blatter lava as suas mãos do casamento entre o Sr. Futebol e a Sr.ª Prostituição, que se celebra às portas do Campeonato Mundial que organiza, argumentando com a soberania do país anfitrião, e com o que já fez de meritório em matéria de direitos humanos, a favor das crianças, ou contra o racismo. É pena que não seja consequente.
O testemunho dos futebolistas profissionais seria importante, pois a juventude revê-se nos seus exemplos de heróis, para o bem e para o mal.
A FIFA deveria condenar sem reticências esta associação entre o futebol e a prostituição forçada.
Os Ministros da Justiça da União Europeia já decidiram tomar medidas contra o tráfico de mulheres para prostituição forçada em grandes eventos, mas pouco se vê de concreto.
O Comissário Europeu da Liberdade, Segurança e Justiça, Franco Fratinni, propôs vistos temporários com condições especiais para cidadãos da Europa de Leste, América Latina e África para prevenir a exploração sexual de mulheres durante o Mundial 2006.
A Conferência das Autoridades Locais e Regionais deveria incentivar a adopção de planos de acção contra o tráfico de mulheres.