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Diário da Câmara dos Deputados
ses, que, fiéis às suas crenças respectivas, e sem as verem enfraquecidas, podem respeitar-se mutuamente.
Mas não é, por certo, o processo agora adoptado que pode levar a êsses resultados.
Repetindo, mais uma vez, o protesto com que iniciei as minhas considerações, mais tenho a acrescentar.
O Sr. Presidente do Ministério e Ministro do Interior (António Maria da Silva): — Sr. Presidente: o Sr. Carvalho da Silva chama a atenção do Presidente do Ministério para a responsabilidade que o Govêrno tem, no dizer de S. Ex.ª, em permitir que o Chefe do Estado assistisse. ontem à homenagem prestada em Monsanto ao falecido alferes Martins, que morreu em defesa da República.
O Sr. Carvalho da Silva: — Não é contra isso que eu protesto.
O Orador: — S. Ex.ª, a despropósito, chamou caluniadores aos republicanos; colocou-se até na situação de insultar um morto.
O Sr. Carvalho da Silva: — Não apoiado! Peço a palavra para explicações.
O Orador: — O Sr. Carvalho da Silva pode dizer o que disso com a mesma liberdade com que eu podia dizer o contrário, visto que cura por informações.
Tomo inteira responsabilidade de S. Ex.ª o Sr. Presidente da República ter assistido a essa homenagem.
Um punhado de portugueses que defendem o regime entendeu que devia levantar um monumento a um homem que sempre se nobilitara na defesa do regime constituído, e levou a efeito essa glorificação, através da qual nós vimos a glorificação da memória de todos os combatentes de Monsanto que morreram pela República. E, portanto, jamais deixarei de assumir a responsabilidade dam conselho dado ao Chefe do Estado para assistir àquele acto, como para assistir a qualquer outro idêntico que se realize.
Tenho dito.
Vozes: — Muito bem.
O orador não reviu.
O Sr. Carvalho da Silva: — Sr. Presidente: quis o Sr. Presidente do Ministério dar a entender que o meu protesto tinha sido contra o facto de se ter prestado uma homenagem à memória do alferes Martins. Não é isso verdade, como tive ensejo de frisar.
O meu protesto foi contra o facto de se caluniar os monárquicos, e de ter o Govêrno levado o Sr. Presidente dá República a associar-se a essa calúnia.
Posta, assim, a questão no verdadeiro pé em que a pus, mantenho inteiramente o meu protesto.
O Sr. Pires Monteiro: — Sr. Presidente: antes de me referir ao assunto que desejo tratar e que corre pela pasta da Marinha, eu cumpro um dever que contraí quando, na sessão de quinta-feira passada, falei sôbre o orçamento do Ministério da Guerra.
Disse eu então que estava convencido de que era possível reduzir o número de generais, no activo do exército, de 20 para 12.
Assim, confirmando essa rainha, maneira de ver e explanando a minha orientação, eu tenho a honra de enviar para a Mesa um projecto de lei relativamente a êste assunto.
Sr. Presidente: eu tenho cumprido, o melhor que sei e o melhor que posso, os meus deveres de Deputado; mas, por qualquer circunstância, o facto é que alguns dos projectos que apresentei dormem no seio da comissão de guerra, sem que esta comissão se lembre de lhes dar o seu parecer.
A comissão de guerra tem Deputados distintíssimos, todos êles militares, o é pena que alguns dos membros dessa comissão não sejam civis, porque estou convencido de que, se o fossem, talvez êste problema de remodelação do exército tivesse merecido maior cuidado e maior atenção.
Já existe um dossier pouco valioso pela parte que me diz respeito, mas de muito valor pelos projectos e propostas que o constituem e que foram apresentados pelo Sr. Ministro da Guerra, e pelos Deputados dos vários lados da Câmara, e o que é certo é que êsse dossier está esperando a questão fundamental, que é a reorganização do exército.