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Sessão de 29 de Maio de 1924 11

que veio a lei chamada da fome que protegeu a agricultura. Não obstante o nosso País não ser o mais apropriado à cultura do trigo, o que é verdade é que há hoje uma política de propaganda da cultura cerealífera no sentido do seu alargamento, a fim de evitar a importação de trigo exótico e uma drenagem de ouro que nos faz falta.

Em nove anos a produção cerealífera quási duplicou, dando-se a circunstância que vai aumentando de ano para ano com excepção de dois anos, 1919 e 1921 em que realmente essa produção baixou por qualquer circunstância, naturalmente por serem anos maus.

Pela última estatística publicada referente a trigos nós verificamos que foi boa a produção de 1923.

A média de produção é relativamente pequena, não há dúvida, mas temos de atender, primeiro, à carestia de adubos e portanto o seu emprego em menor quantidade; segundo, à má aplicação dos adubos.

Há ainda a atender a uma cousa que se devia fazer e que não temos feito, que é a selecção dos nossos trigos.

Desde que a selecção se baseie em princípios scientíficos estou convencido que alguma cousa se deve colhêr de bom.

Com uma selecção realmente bem feita nós poderemos chegar a alguma cousa de útil.

Do que nos devemos convencer é que se torna essencial a protecção à cultura cerealífera.

Quanto à produção por hectare, verifica-se que nós apesar do todas as contrariedades e da falta de protecção do Estado, temos feito alguma cousa quê se veja. Vê-se que apesar de tudo mantemo-nos dentro daquilo que é a média da produção por hectare.

Interrupção do Sr. Velhinho Correia, que não se ouviu.

O Orador: — É claro que não podemos comparar-nos com o que se passa lá fora, e assim temos que a produção, em média, não permite conclusões diferentes das que eu apresentei.

Quere dizer, Portugal figura aqui no último grau da escala dê produção por hectar, apesar de todo o seu esfôrço, apesar de toda a sua boa vontade.

Outro ponto a atender é o nosso clima, sobretudo, como clima mediterrâneo que é.

De lacto, há chuvas e temperaturas às vezes tam elevadas e extemporâneas que ocasionam prejuízos enormes na cultura cerealífera, e é êsse o nosso grande mal.

Confrontando a nossa actual produção cerealífera com a produção dos anos anteriores à guerra, verifica-se, como já disso, um aumento.

O Sr. Carvalho da Silva: — Mas o Sr. Ginestal Machado disse ontem que a riqueza do país tinha deminuído.

O Orador: — E deminuíu, concordo com a opinião do Sr. Ginestal Machado.

Se V. Exa. fôr ver o que isto representa em relação à desvalorização da moeda verificará que as palavras de S. Exa. têm toda a razão de ser; mas agora não estamos a considerar êste assunto sob o ponto de vista fiscal.

Sôbre importação de trigos tenho uma tabela abrangendo as importações desde 1860 a 1919.

Não leio a V. Exas. êste documento para não lhes fatigar a atenção; em todo o caso, para os elucidar dir-lhes hei que a importação do trigo vai desde 25 milhões até 175 milhões, havendo uma diferença de 6,89, quási 7 vezes mais entre o trigo que se importava em 1865 e a importação em 1919. Prova-se portanto que o consumo tem aumentado duma maneira espantosa.

Sr. Presidente: eu julgava que as entradas de trigo no País se faziam depois do Sr. Ministro da Agricultura ter ouvido uma entidade chamada o Conselho Superior da Agricultara e dêste lhe ter indicado que efectivamente havia necessidade de fazer essa importação.

Ora o Conselho Superior da Agricultura reuniu e determinou que se importassem 50 milhões de toneladas. Não percebo portanto como é que se importaram perto de 60 milhões de toneladas. Mas há mais.

Foi estabelecido por um decreto que só de 15 de Janeiro em diante poderiam começar a fazer-se as importações, porque até essa data bastava-lhes o trigo nacional. Pois bem.

Em Setembro, Outubro e Novembro permitiram-se importações de trigo embo-