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Sessão de 11 de Junho de 1924 9

mas o Sr. Norton de Matos não tem escrúpulos de nela se ver.

Pediram-lhe para aumentar os juros, cedeu.

Pediram-lhe para deminuir o prazo em que devia começar a amortização do crédito, cedeu.

S. Exa. cederia tudo, até a própria província, desde que pudesse dizer depois que tinham sido os estúpidos dos seus sucessores os responsáveis de todos os desastres, o que tinham sido os homens da metrópole, os causadores da morte do crédito da província.

Quem conhece o Sr. Norton de Matos, sabe que devem ser estas, aproximadamente, as suas palavras.

Mas os homens da metrópole que, porventura, não estejam dispostos a suicidar-se — e um deles é, certamente, o Sr. Ministro das Colónias responderão ao Sr. Norton de Matos repudiando inteiramente as condições dêste empréstimo, em nome dos interêsses nacionais, uma vez que ele não serve Angola, nem a metrópole.

Espero ouvir a resposta do Sr. Ministro das Colónias a' êste respeito.

Esta resposta é-lhe exigida não só por mim, mas também e principalmente pelo Alto Comissário de Angola, que para o seu empréstimo pede o beneplácito da metrópole.

Com certeza que, tendo S. Exa. lido as condições dêsse empréstimo é sabendo em que consistiam as preguntas que eu desejava formular-lhe, o Sr. Ministro das Colónias já deve ter sôbre o assunto uma opinião reflectida e assente.

Eu, por mim, quero apenas afirmar mais uma cousa,

O Sr. Norton de Matos, deixou uma obra tam criminosa em Angola que dificilmente poderá ser ràpidamente enfrentada por qualquer pessoa que tenha $01 de miolos.

Eu já disse algures que a administração do Sr. Norton de Matos tinha de acabar por uma comissão liquidatária.

Regularizar a situação de Angola, indo até meter na cadeia algumas pessoas que estão fora dela, seria uma obra que alienaria por tal forma as simpatias da colónia, que eu não sei se haveria alguém capaz de lhe meter ombros.

Isto vem a propósito para eu dizer que

não pertenço ao número das pessoas corajosas, e que por isso, não eram precisas as afirmativas feitas em certas reuniões em que a pretendida nomeação do meu nome foi apontada como uma afronta, para que eu não aceitasse tal cargo.

Pessoas corajosas há-as em demasia no Partido Democrático.

O recrutamento para êsse e para outros cargos tam disputados, pode muito bem fazer-se adentro dêsse Partido.

Feitas estas declarações, com a afirmação terminante de que não sou concorrente a nenhum dos altos cargos públicos do meu país, eu termino preguntando ao Sr. Ministro das Colónias se está disposto a dar a sua aprovação ao empréstimo realizado em Londres pelo Alto Comissário do Angola, Sr. Norton de Matos.

Tenho dito.

O orado não reviu.

O Sr. Ministro das Colónias (Mariano Martins): — Sr. Presidente: em breves, mas concisas o terminantes palavras, vou responder às preguntas que acaba do me fazer o Sr. Cunha Leal.

Assim, Sr. Presidente, cumprindo o meu dever, que é o de responder pelos assuntos que correm pela minha pasta, eu devo dizer a V. Exa. que não só li com a máxima atenção o telegrama a que o Sr. Cunha Leal se referiu, como li igualmente o decreto do Alto Comissário, de 11 de Maio de 1921, o contrato negociado pelo Alto Comissário de Angola, de 18 de Maio de 1921, e bem assim os artigos 2.º e 3.º da base 8.ª do contrato.

Informado convenientemente sôbre é assunto, fiz expedir ao encarregado do Govêrno da província de Angola um telegrama recomendando-lhe que suspendesse a apreciação pelo conselho executivo das condições do empréstimo até que novas instruções lhe fossem transmitidas.

Creio, Sr. Presidente, que com a expedição desse telegrama respondi antecipadamente às observações feitas pelo ilustre Deputado Sr. Cunha Leal.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Velhinho Correia: — Sr. Presidente: ouvi com a máxima atenção as considerações feitas pelo Sr. Deputado interpelante, e se bem que possa estar