O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

10 Diário da Câmara dos Deputados

E eu pregunto ao Sr. Vitorino Guimarães que apoia os actos do Sr. Ministro da Guerra, mas que não podia sem estremecer ouvir dizer a S. Exa. que ia mandar descontar êsse dinheiro, porque se não levantou a pedir que lhe descontassem também o dinheiro que um outro oficial roubou no Corpo Expedicionário Português e pelo qual era responsável?!

É que o Sr. Vitorino Guimarães é Deputado da maioria, e o Sr. Ribeiro da Fonseca não quis ser cliente da Vulcano!

Mas para mostrar até onde vai essa má vontade contra a aviação, vou ler um louvor que foi dado ao. Sr. capitão Ribeiro da Fonseca no dia 4 dêste mês.

Êsse louvor é o seguinte:

Lê.

É a um oficial desta categoria, da fôrça moral e desassombro do Sr. capitão Ribeiro da Fonseca, que o Sr. Ministro da Guerra por uma vingança pessoal aplicou quarenta e cinco dias de prisão correcional!

Mas para êste a maioria não quere dar uma amnistia, quere dá-la antes ao Sr. Ministro da Guerra que precisa dela!

Não, não tem prestígio quem quere! O prestígio não se dá, conquista-se pela maneira do proceder nobre e leal, e, sobretudo pela defesa dos seus subordinados e do bom nome do exército.

Agora, um Ministro da Guerra que, depois de saber que os aviadores chegaram a Macau, saiu de Lisboa para não ouvir os morras e os abaixos, êsse não tem prestígio.

O Sr. Vergílio Costa: - Era o remorso que o fez fugir!...

O Orador: — A saída de S. Exa. do Govêrno é o maior desejo de todo o exército, posso afirmar.

Mas como se o insulto da amnistia fôsse ainda pequeno e fôsse preciso atirar mais lama à cara dos aviadores, um outro Deputado veio pedir para que fôsse discutida ao mesmo tempo desta amnistia a amnistia daqueles que roubaram e são gatunos.

É preciso descer muito ou nunca ter sido militar para não se avaliar até onde vai êste enxovalho!

Porque não era a revolta que estava na Amadora, eram a dignidade e o brio!

Na Amadora, segundo uma frase dum oficial que ficará na história, «estava o valor militar, cá fora o bom comportamento!».

Admiro, Sr. Presidente, que os oficiais todos, que amam a sua Pátria e a sua farda, não venham aqui dizer que os aviadores não querem a amnistia, porque ela ofende-os.

Apoiados da direita.

Infelizmente para Portugal mais uma vez aqueles que não cumprem a sua palavra e não sabem honrar a farda que vestem, vão vencer aqueles que sabem o que vale uma farda.

Apoiados.

Mas, Sr. Presidente, os aviadores não querem a amnistia, não querem o esquecimento, (Apoiados), pois êles querem que todos os portugueses saibam de quem é a culpa.

Apoiados.

Sr. Presidente: o exército ou os seus chefes enviaram o general Bernardo Faria.

E parece que tudo se combinou para prejudicar até a própria Republica.

Apoiados.

Então V. Exa. vê que o comandante general da guarda republicana envia um telegrama de felicitações a Cifka Duarte e não tem uma palavra para o director da Aeronáutica Morais Sarmento, e êste director fica depois dessa arma têr sido dissolvida?

Quem tem brio, se fôr insultado, sai; e foi isso que fizeram os aviadores.

Apoiados.

Sôbre o parecer n.° 716 não posso deixar de dizer que não concordo com êle. Eu sou contra todas as amnistias e muito mais neste caso.

Os aviadores não podem ser envolvidos com criminosos.

Apoiados.

O orador não reviu.

Leu-se o projecto do Sr. Cunha Leal e foi admitido.

Leu-se a moção do Sr. António Maia e foi admitida.

O Sr. João Camoesas: — Pedi a palavra para explicações e usarei dela nos termos regimentais. Serei, por conseqüência concisa.

Apoiados.