O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 31 de Julho de 1924 17

pode de um momento para o outro exibir que sé transporte ràpidamente para Já determinado número de soldados, e nós seremos obrigados a fretar um navio estrangeiro para levar as nossas tropas.

Isto é muito de ponderar.

Sr. Presidente: a proposta não diz mais nada.

Vejo-me obrigado a formular hipóteses, e a procurar responder eu mesmo, com as varias respostas que elas me sugerem, para mostrar os inconvenientes que podem resultar.

Ainda, sôbre a aplicação a dar ao produto da venda dos navios, eu desejo formular mais as seguintes preguntas:

É de facto intuito do Sr. Ministro da Marinha destinar exclusivamente a reparações navaes o produto da venda dos barcos?

O Sr. Ministro exclui a possibilidade de aplicar êsse produto à compra de material naval?

Repito, Sr. Presidente, tal como está redigida a proposta, se ela fôr convertida em lei, o produto da venda dos navios só poderá ser utilizado em reparações, e nunca para a compra de novo material naval; porém se êste é o intuito do Sr. Ministro da Marinha, S. Exa. tem um remédio, qual é o de na discussão na especialidade apresentar uma emenda nesse sentido, isto é, de poder fazer a aplicação a fins diversos que não sejam, reparações.

Na verdade o nosso material naval está num estado verdadeiramente lastimoso, e assim natural é que êste produto seja absolutamente absorvido.

Mas, examinada a proposta nestes termos eu pregunto se é legítimo que uma proposta, que aparentemente não tem importância, mas que tem a importância que eu tenho mostrado a V. Exa., se apresente com pressa à Câmara, para ela a aprovar ràpidamente, quando ela não foi devidamente estudada pela comissão respectiva.

Sr. Presidente: eu pertenço ao número daqueles que não têm fé nenhuma pelo trabalho das comissões, pois sei muito bem, que, se um dos membros dessas comissões apresenta um determinado trabalho, os outros geralmente o assinam com mais ou menos declarações, para não terem responsabilidade, apresentando-se na
maioria dos casos o respectivo parecer que geralmente não é lido.

Sr. Presidente: não concordo com esta maneira de trabalhar; eu procurei sair da,s comissões a que pertencia, porém não tenho dúvida em trabalhar nelas, como trabalho aqui.

Mas tenho dúvida absolutamente em pôr o meu nome por baixo de tal parecer, embora pudesse fazer as minhas declarações, e nestas condições não faz falta o trabalho que as comissões façam.

Um trabalho nestas condições não dá garantias, e não terá o meu voto.

Àpartes.

Sr. Presidente: em todo o caso tinha a garantia que o respectivo relator teria de procurar os esclarecimentos que me faltam, e que a proposta não tem, para só poder discutir êste problema, como deve ser discutido.

Sr. Presidente: é sabido o clamor que levantou no País a venda do alguns dos nossos navios de guerra.

Já ontem me referi a êste assunto, e não me quero alongar sôbre êle.

Mas não quero terminar sem dizer que ao passar hoje no Terreiro do Paço, e ao ver o S. Gabriel, elegante, inteiro, ainda com os fogões e os mastros, completo, emfim, tive a impressão que está ainda capaz de navegar, e lembrei-me que nesta Câmara estava uma proposta, que porventura eu teria de votar, sem que no emtanto ela tivesse vindo acompanhada dos necessários esclarecimentos.

Tive pena, confesso, porque estou convencido de que êsse. navio desaparecerá, sem ser substituído por outro.

Àpartes.

Sr. Presidente: estamos hoje reduzidos apenas aos cruzadores S. Gabriel e Almirante Reis, e interrogo-me sôbre só não haveria exagero na resolução que se quere tomar.

O Almirante Reis e o Adamastor estão amarrados ambos no meio do rio, sem fogões, sem mastros, verdadeiras barcaças, com o aspecto de embarcações perdidas.

Pregunto se realmente não haverá engano, e se onde está o nome de S. Gabriel não deve estar o de Adamastor.

Admito que o estado do navio que parece melhor, seja pior que o do outro.

Sr. Presidente: ter-se ia poupado o Adamastor, que representa alguma cousa para