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Sessão de 16 e 17 de Julho de 1925 55

contramo-nos em toda a parte perante a seguinte situação: um estado social democrático de facto e um estado direcção, que por ter sido formado num período de não vigência ainda da democracia, se não adaptou ao estado actual da sociedade. Duma maneira simples podemos dizer que existem dirigentes para um estado social que já não existe e então sucede que neste período de transição emquanto se não transformam os novos instrumentos de selecção social nós de facto encontramo-nos dentro duma crise, porque como V. Exa. sabe muito bem que a crise é exactamente entre dois factores anteriormente conjugados. Assim sociedades onde não existe acordo entre o corpo social e a direcção, acordo entre a acção dirigente e o meio social ambiente, são sociedades em crise.

Como êste fenómeno é geral, temos de concordar que a característica do nosso período é uma crise social que não é monopólio de Portugal, mas que existe em toda o mundo.

Traduz-se êle por uma agitação tremenda, de tal sorte que o estado dentro do ponto de vista ordem é um estado de guerra efectivo.

Ora, Sr. Presidente, se assim é, se de facto neste momento de transição, durante esta crise, nós nos não encontramos com os dirigentes, sucede que faltam valores para um certo número de funções para que não estão convenientemente preparados.

Assim acontece com o Parlamento em quási todas as partes do mundo, dando-se como fenómeno geral uma inferiorização de hábitos parlamentares.

No emtanto, como em nenhuma parte do mundo, a não ser nos países muito atrasados, os homens se deixam ser a presa inconsciente dos fenómenos e antes, pelo contrário, utilizam a sua inteligência para os dominarem; como o que caracteriza o homem é adaptar o meio, aproveitando as suas faculdades para melhorar as condições ambientes, não podemos deixar de contrariar nos seus eleitos êste fenómeno.

E, sobretudo, Sr. Presidente, há uma espécie de parlamentares que o não devem deixar de fazer.

São aqueles que ocupam o lugar de direcção suprema; são aqueles que são os
dirigentes dos partidos representados nesta Câmara.

Mas, Sr. Presidente, isso não se pode admitir a um Deputado, leader dum partido, e que de mais a mais é comendador de quási todas as ordens.

Quando êsses são os próprios a delinquir, então, Sr. Presidente, aqueles que são realmente parlamentares, devem protestar de todos os modos e evitar por todas as formas que a vida parlamentar seja um tecido de maus costumes, seja uma série de ataques injustos e de emboscados.

Por acaso quis o destino que o Partido Republicano Português tivesse constituído um Govêrno em que predominam os velhos republicanos, os que no tempo da Monarquia se sacrificaram pela República, por todas as formas e que em todas as crises da República têm dado o corpo ao sofrimento.

E como foi que os republicanos de todos os lados da Câmara receberam os seus antigos companheiros de armas? Receberam-nos, como se fossem ao Poder apostados em fazer o mal do País e comprometer os destinos da República! E eu que não tenho com os homens que ali se sentam nenhuma espécie de solidariedade, senão aquela que deriva do Govêrno sair das fileiras do meu partido, porque entendo que, tendo vindo voluntariamente para um partido, tenho obrigação de votar a favor dêste Govêrno, me sinto magoado.

Se não pudesse dar o meu voto a um Govêrno saído do meu partido, sairia do partido.

Já votei com um Govêrno, apesar de ter dele ressentimentos legítimos, dada a maneira como fui tratado pelos meus próprios correligionários, que me apresentam ao País como homem que tem sido diferente do que é na situação especial em que me encontro.

Nunca solicitei nenhum lugar e, contudo, os meus camaradas têm-me procurado apresentar ao País numa atitude moral diversa daquela que tenho praticado durante toda a minha vida.

No dia em que foi posta a questão de confiança, homens houve que cometeram a traição de não aprovar êsse voto de confiança a um Govêrno do sou partido.