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Sessão de 16 e 17 de Julho de 1925 67

fábrica que criara recursos económicos fàcilmente realizáveis momentaneamente, encontrava pessoas dispostas a manter outras fábricas do mesmo género numa proporção tamanha que a própria indústria do banco criou a sua própria ruína. E um pouco o que está sucedendo em Portugal.

Dada esta forma de desenvolvimento económico, que os americanos pràticamente cognominavam de florescência económica, êste período de florescência podia ser diagnosticado já depois de se ter produzido, mas muito antes de atingir o seu máximo desenvolvimento.

Verificava-se por um certo número de elementos de informação que a florescência dum ciclo económico produzira a deflação dos meios concretos, aumentara e multiplicara o período de actividade.

Assim se fez a compilação dum certo número de instrumentos, que a Conferência Internacional de Estudos Económicos realizada em Berne designou por "barómetros económicos".

Ora esta divagação não é uma mera divagação. Esta doutrina está dentro da tese que sustento, e, mais ano menos ano, localiza-se em toda a parte do mundo e entre nós principalmente em 1918-1919 e 1925.

Tomemos para exemplo a indústria bancária. Que fizeram os nossos financeiros? Multiplicaram a indústria bancária e precisamente no ano em que só definia nítida e claramente a florescência do ciclo económico, criaram o inflamente do crédito, e por si próprios, por ignorância, originaram um desenvolvimento exagerado dessa indústria, criando-lhe uma situação que a havia de prejudicar.

Por outro lado, estamos nesta altura no período em que começa a sentir-se, não é fantasia minha, uma cota de desemprego que se manifesta sobretudo não só nas indústrias de construção e conservas, por exemplo, mas que já se vai estendendo a outras indústrias, e já vamos ver a razão porquê.

Nesta altura em que a repressão se devia sentir, em que as facilidades nos meios de crédito deveriam ser diminuídas, os nossos dirigentes financeiros mostraram-se incapazes durante êsse período e igualmente se estão a manifestar incapazes no actual momento.

Outra indústria, a metalúrgica, em Portugal, desenvolveu-se durante a guerra e ainda em 1918-1919.

Essa indústria continuava a ser sustentada por financeiros.

V. Exa. a lembram se dum certo número do estabelecimentos metalúrgicos, como por exemplo a Empresa Industriai Portuguesa em Santo Amaro, que, sendo um meio do especulação financeira, tudo isso foi feito pela alta finança, e a finança se fôsse convenientemente dirigida teria restringido o desenvolvimento da indústria metalúrgica em Portugal. Mas, em vez de fazerem isso, fizeram o contrario, e aumentaram o mal.

Vejam V. Exas. as indústrias das conservas, cerâmica, moagem, serração de madeiras e muitas outras, a incapacidade da direcção financeira mostrou-se da mesma forma e tornou impossível a marcha do desenvolvimento nessas indústrias.

Todas estas razões me levam a afirmar que, de facto, a única crise que existe em Portugal, o único problema que temos a resolver instante, úrgico, necessàriamente é o problema da educação, ou seja o da criação dum certo número de meios scientíficos adaptados à cultura, ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento das tendências, e das qualidades do povo português.

Esta tristíssima crise em que nos debatemos, que é manifesta, completa e perfeita, êste mísero documento que tem vindo a ser a causa desta minha longa análise durante o debate que tem havido dentro desta casa do Parlamento, esta incomodíssima crise de direcção é que precisa ser instante e úrgicamente resolvida, sob pena de a vida de Portugal, não diga já a vida da República, como sucedeu no passado, começar a ser esta sucessão de actos revoltantes que fazem descrer em todas as razões de existência política e orgânica do País.

Bem contra minha vontade tenho estado a falar durante tanto tempo, com risco da minha saúde e com risco da minha própria vida, mas tenho o feito porque julgo ser isso a imposição de um dever, pois não podia ser testemunha passiva e silenciosa do um processo parlamentar que no fundo é desleal e revoltante.

Não tenho estado aqui a fazer obstrucionismo, e, se os Srs. taquígrafos fizerem a colecção dos meus pontos de vista.