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Sessão de 27 de Junho de 1924

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E essa amnistia não é humilhante nem pode vexar os aviadores, ao contrário do que disse o nosso ilustre colega Sr. Querubim Guimarães, porque a opinião do País já os consagrou em manifestações de grande valor moral.

Se fossem "criminosos, o general Sr. Roberto Baptista, nosso distinto colega nesta Câmara, que, como chefe do estado maior do Corpo Espedicionário em França, deu as mais evidentes provas do seu alto valor militar, reconfirmação do seu passado brilhante, não teria preferido demitir-se de comandante da divisão a atacar os oficiais que resistiam a uma ordem ilegal.

Não apoiados.

O Sr. Joaquim Crisóstomo:—O Sr. general não os atacou porque as tropas não lhe obedeciam.

O Orador: — V. Ex.a é mais uma vez inconveniente e não tem o direito de insultar um ilustre oficial general com uma larga folha de serviços à Pátria e que é um ilustre colega nesta Câmara.

O Sr. Joaquim Crisóstomo: — Eu não insulto. Reproduzo o que se disse.

O Orador:—Triste missão a de V. Ex.a, de vir para aqui reproduzir o que ouve e que nunca chega a provar.

Mas, Sr. Presidente, o próprio general Sr. Bernardo Faria, ornamento do exército português, alto espírito de militar dis-ciplinador, não teria ido desarmado, diplomaticamente, como camarada, pedir-•Ihes que se rendessem e elogiar a sua nobre atitude, se estivesse convencido de que os aviadores eram criminosos.

O Sr. Raimundo Meira: — Isso não ó verdadeiro. As cousas não se passaram assim.

O Orador:—Não passariam; mas V. Ex.a há-de permitir-me, apesar da muita consideração que me merece, que acredito na reportagem de todos, de todos os jornais, de preferência aos informes colhidos por V. Ex.a

Finalmente, os aviadores, se fossem criminosos, não teriam sido consagrados

pelo povo de Lisboa, que, num momento de sincero, entusiasmo patriótico, foi a S. Julião da Barra, à fortaleza de guerra onde estão cativos os heróicos oficiais, ovacioná-los e aclamá-los numa vibrante e carinhosa manifestação de respeito, estima e admiração.

Também já estive nessa fortaleza a visitar os aviadores. E, ao sair, eu digo aqui o que já disse noutra tribuna onde tenho voz, relanceando a vista para a fortaleza, pelo meu cérebro passou num momento toda a maldita história .passada dentro daquelas muralhas, recordando a figura sanguinária de Carr Beresford, mandando enforcar Freire de Andrade, e a figura repugnante de Teles Jordão, vergonha da nossa raça, de alma=viperina e coração de chacal.

E murmurei comigo: tanto bandido em liberdade; tanto: asqueroso e miserável dando leis à sociedade; tanto cobarde mascarado de herói; tanta víbora a,envenenar consciências, e aquelas águias ali, de asas partidas, voando apenas com o espírito pelo espaço fora, no seguimento dos que ora já banharam de sol do Oriente as gloriosas asas do Pátria.

Disse.

O Sr. Costa Júnior: — Requeiro a V. Ex.a que consulte a Câmara sobre se permite que a sessão seja prorrogada ate se votar esta proposta de lei.>

E aprovado.

O Sr. Medeiros Franco: —^Que me perdoe o Sr. Júlio Ribeiro, mas S. Ex.a, no seu discurso, foi formidavelmente incoerente e muito subversivo.

Púnhamos um pouco de lógica na discussão desta proposta de lei.

E do conhecimento de todos que só se amnistiam crimes e infracções. Não há forma de admitir a^amnistia de qualquer acto que não seja criminoso, nem há possibilidade .de conceder amnistias £ outros factos.