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Sessão de 26 de Junho de 1925

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.tecimento de água ao município de Lisboa, à população da capital e também ao Estado, a cvja administração a sua poderá servir de modelo no exemplo, na probidade, no zelo e no acerto com que é exercida».

Manifestações como esta, «de probidade», felizmente para nós, o Estado republicano ainda as não teve, nem terá. A Companhia que as guarde para si.

Ainda para que a Companhia não possa objectar que procedeu assim por dificuldade em fazer doutra forma, eu direi que não é.absolutamente nada difícil calcular um terço do consumo mensal. Mas isto com relação ao consumo, porque com relação aos contadores não há nenhuma razão que justifique a cobrança da importância do aluguer desde o dia l do mês.

Diz a Companhia que os meus ataques a têm deixado insensível. Não me causa isso admiração nenhuma, mas em todo o caso tenho a satisfação de verificar o seguinte:

Apesar dessa insensibilidade, ela tem de reconhecer que, muito especialmente de 1923 a esta parte, a minha atitude tem concorrido a contrariar os esforços dela para satisfazer os seus desejos, e também tem concorrido, e isso verifico-o com muito prazer, para prejudicar a atmosfera que" ela pretende criar em torno desses desejos.

Quer ela seja ou não insensível ao que aqui tenho .dito, ela tem de verificar esta verdade. A Companhia não deve esquecer que quando foi publicado o decreto n.° 8:634 fez anunciar «que a água no mês de Julho devia estar a 2$õO e no fim do ano a 3$».

Estamos em 1925, isto é, a dois anos e meio após o aumento, e a água continua a 1$20 o metro, e há-de continuar, porque eu não creio que haja nenhum Ministro do Comércio, que seja capaz de elevar o preço.

j Diz a Companhia que eu lhe sou hostil!

Evidentemente que eu não posso,render louvores nem elogios à Companhia das Águas de Lisboa, desde que eu verifico factos, factos pelos quais se prova que ela não cumpre os contratos a que é obrigada. . Mas, como se feriu esta tecla, vou dizer à Câmara a única lição que, há muitos anos, dei à Companhia.

Há anos dirigi-me à Companhia das Aguas de Lisboa, para requisitar a colocação de um contador na minha residência.

Nessa época, a Companhia estava instalada no mesmo prédio que hoje ocupa, mas essa instalação era muito mais modesta, limitava-se a um balcão, dentro do qual -se encontravam -os empregados.

Dirigi-me a um deles, e disse-lhe ao que ia; entregou-mo um impresso, que dizia pouco mais ou menos o seguinte:

«Eu abaixo assinado requisito a colocação de um contador Pinto Basto ou de pressão, com distribuição pela direita 'ou pela esquerda, comprometendo-me -a acatar e cumprir os regulamentos em vigor».

E terminava assim:

De V. Ex.as atento e venerador.

Eu era então rapaz com sangue na guelra e quando cheguei ao fim do tal impresso, reparei nos seus dizeres, e risquei as palavras : De V. Ex.as atento e venerador.

Grande espanto do empregado que me atendeu e que me observou:

£ Então V. Ex.a risca essas palavras?

j É a primeira vez que tal se faz!

Ao que eu respondi:

Cortei essas palavras, porque não conheço a direcção da Companhia das Aguas de Lisboa; pessoalmente talvez conheça alguns dos seus membros, mas da Companhia não sou nem atento, nem venerador ; a Companhia vende-me a água, e eu pago-a; são as únicas relações que tenho com ela.

O contador foi colocado^ e, tempos depois, disseram-rne que a tal íórmula com. que fechavam os impressos a que me referi tinha desaparecido.

Foi essa a lição de modéstia que eu dei à Companhia, portanto se alguém tem qiie estar zangado, é ela e não eu.

Tudo quanto tenho dito contra a Com-, panhia das Águas, é unicamente para defesa dos 'interesses da população da capital, e muito especialmente para acabar com essa campanha de terror e de ansiedade, que a Companhia pretende lançar no público, simplesmente para satisfazer os seus desejos.