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Diário das Sessões do Senado

Para o Congresso apelarei então, e tenho a certeza de encontrar eco em defesa dos revolucionários civis que têm j á direitos adquiridos pela lei n.° 1:691.

O Sr. Costa Júnior sabe perfeitamente que o que afirmo é verdade, e s^be que, se aprovamos esta proposta de lei não tendo aprovação na outra Câmara, não pode ser considerada lei da Nação.

Portanto, tenhamos a coragem dos QOS-sos actos.

Ou aprovamos a proposta de 10: da Câmara dos Deputados ou a rejeitamos.

Em virtude de estarem mais alguns oradores inscritos, termino por ora as minhas considerações.

O orador não reviu»

. O Sr. D. Tomás de Vilhena:— Sr. Presidente : V. Ex.a sabe perfeitamente que há uma virtcde evangélica que é, por certo, a mais fácil de cumprir.

É aquela de quem leva uma bofetada na face direita ir oferecer humildemente ao adversário a face esquerda.

Seria esta a minha situação se desse qualquer aprovação a alguma lei ou projecto, que beneficiasse os revolucionários civis.

Eles terão prestado altos serviços à República, mas quanto maiores fcram esses serviços inais prejudiciais foram para a minha causa.

V. Ex.a compreende a.tristíssima ngura que faria aqui, ou em qualquer parte, se aprovasse qualquer galardão aos indivíduos que na procura de uc. ideal, segundo as indicações da sua consciência, vieram trazer o máximo prejuízo à causa a que pertenci sempre.

Aqui tem V. Ex.a a minha situação.

Por cons?qiiência não posso votar, nem esta. nem qualquer outra proposta idêntica.

Ainda no outro dia, aqui me referi a que as sociedades para poderem progredir é preciso que se ponha de parte, tanto quanto é possível, os benefícios materiais, para se elevarem ao culto do ideal. '

Todos os grandes feitos da História do Mundo suo o resultado de dedicações generosas sem a preocupação imediata do compensações de ordem material.

Se nós percorrermos a nossa história havemos de ver que todos esses feitos que, nos deram um renome tam grande

no inundo, que ainda vivemos à sombra dele, vieram de uma dedicação sincera, dessa dedicação em que o culto da Pátria, ou da religião obrigava o homem a iodos os mais penosos sacrifícios, numa despreocupação completa pelo bem-estar material,.

Ainda hoje, neste dia, que representa uma das páginas mais brilhantes da nossa história, nós vemos que em Aljubarrota, onde se decidiu de vez a nossa independência, o que triunfou foi o espírito, o desprendimento do Condestável que tudo sacrificou no altar da Pátria, foi a ala brilhante dos namorados que investiu contra as hostes do rei castelhano pugnando pela Pátria e pela sua dama.

Esses homens que assim pensavam na independência da Pátria e assim levantavam hostes que, pode dizer-se, eram a quarta parte do exército, produziram um dos triunfos mais briliiiantes da nossa história; todavia, nunca pediram recompensas, nunca vieram alegar esses altos serviços para que lhos retribuíssem.

Não há nada que possa satisfazer mais a consciência do homem que verdadeiramente tem o culto de um ideal do que fazer tudo quanto humanamente é possível para a realização desse ideal.

Se a todos aqueles que intervieram nesse grande feito da nossa história, que transformou política e completamente a situação do País, fosse concedida uma recompensa, a sua causa teria sido asfixiada porque tirar-se-ia o sangue, o suco do País e deixá-lo-iam, inane.

Aqui está porque eu voto sempre contra as regalias que se pretandem conceder aos revolucionários civis.

O orador não reviu»

O Sr. Vicente Ramos:— Sr.Presidente: se tivesse estado aqui na ocasião em que foi votada a generalidade desta proposta de lei, tê-la-ia rejeitado.

Dou o meu voto e perfilho o aditamento apresentado pelo Sr. Procópio de Freitas.

O reconhecimento dos revolucionários civis tem uma história que já vai longa.