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616 DIÁRIO DAS SESSÕES - N.º 90

comercial e empréstimos (total), caixa (excluído o encaixe-ouro do Banco de Portugal) e circulação fiduciária:

[Ver Gráfico na Imagem]

Por este quadro se vê que, ao passo que a circulação aumentou entre Janeiro e Setembro 500 milhares de contos, ou 6,3 por cento, os depósitos subiram 1:140 ou 5,7 por cento, e a carteira comercial e empréstimos 1:471 ou 19,8 por cento.
Quer dizer: a circulação aumentou em valor e proporção muito menor do que o crédito distribuído e foram os depósitos que deram contrapartida a este. O aumento de circulação não excede proporcionalmente o seu movimento estacionai habitual antes da guerra. O gráfico VI mostra-nos, de facto, a evolução anual da circulação em alguns momentos típicos: um ano anterior à guerra (1936), o ano de 1939, como ano de transição, os anos de 1941, 1942 e 1943, como anos de pleno desenvolvimento da inflação, e os anos de 1945 e 1946. Nestes dois, mas sobretudo no último, é já evidente a semelhança com a curva de oscilação anual anterior à guerra, o que denota que a circulação deixa de obedecer a causas externas de aumento e reage já, como habitualmente, aos movimentos internos da economia.
Nos depósitos dá-se fenómeno semelhante (gráfico vil). Depois dos movimentos fortemente ascensionais de 1941-1942, a curva do seu aumento tende a atenuar-se em 1946, e, embora não apresente a baixa habitual do fim do ano, mostra a tendência para a estabilidade, sendo o aumento apenas devido a aumento de crédito pedido aos bancos.
A comparação das curvas mostra-nos assim a tendência para a estabilidade - cessação nítida dos fenómenos de inflação do poder de compra observados com o seu maior desenvolvimento nos anos de 1941 a 1943.
Ao mesmo tempo verifica-se na curva de preços do gráfico:
1.° A tendência nítida para a baixa dos preços por grosso;
2.° A menor alta dos preços de retalho.
Sabida como é, a precedência dos movimentos dos preços por grosso sobre os dos preços de retalho, fenómeno que neste mesmo período de 1939-1946 se verifica durante a fase inicial de alta, dificilmente poderá deixar de ter-se o facto como prenúncio de uma mudança de conjuntura.

4. Poderá, porém, esta situação, derivada da inversão de movimentos da economia, trazer como fenómeno secundário, que, afinal, se autonomiza, uma verdadeira inflação fiduciária do tipo 1916-1922?
Que significa e que consequências tem o aumento do crédito distribuído pela banca?
Poderá esta, ao aumentar a distribuição de crédito para financiar o comércio importador e ajudar o País a saldar os déficit da balança comercial e de pagamentos, fazer diminuir as reservas da circulação e responsabilidades u vista do banco emissor sem que estas se reduzam?
Como se relacionam entre si as diversas contas cujos movimentos foram notados, no momento de reconversão em que, parece, estamos a entrar francamente?
Dos números citados deduz-se que foi no crédito que em parte apreciável a economia interna encontrou os recursos necessários ao aumento do seu abastecimento em matérias-primas e equipamentos, já que os depósitos não diminuíram, antes aumentaram, porventura, em parte, com o produto desse mesmo credito. Foi assim ao redesconto e à sua posição de caixa que a bania foi buscar recursos para o aumento da distribuição de crédito, o que nas contas do banco emissor se traduz, como vimos, por uma diminuição da rubrica de depósitos e um aumento da carteira comercial.