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11 DE ABRIL: DE 1973 4973

Só uma política realista e decidida, assente nos princípios da equidade e da justiça, poderá resolver a questão de modo satisfatório.
É compreensível o desejo dos médicos e enfermeiros de se fixarem nos dois mais importantes centros urbanos de Moçambique. Porém, o interesse geral terá de sobrepor-se ao particular, competindo aos governantes a tarefa de, sempre que possível sem atritos, conciliar estes dois interesses, quase sempre antagónicos, sem jamais perder de vista o bem comum. E o bem comum impõe, vezes sem conta, o sacrifício de alguns em prol da maioria.
Convirá não olvidar que a medicina, o magistério, a enfermagem e o sacerdócio não constituem profissões vulgares. Quem quer que se decida por qualquer destas actividades, deverá fazê-lo ciente de que enfrenta uma dura, aliciante e espinhosa missão de amor e sacrifício pelo próximo.
O Norte de Moçambique requer, hoje mais que nunca, homens decididos, trabalhadores e corajosos. Homens capazes de se dedicarem de alma e coração a desbravar o mato emaranhado e espesso. Homens dispostos a abrir picadas e a trilhá-las pisando lama, pó ou areia. Homens que projectem e construam pontes, estradas, aeroportos, escolas, hospitais, hotéis, fábricas e armazéns. Homens que se fixem à terra, que a desventrem e semeiem, que criem gado e lancem negócios honestos. Homens que planeiem, administrem e decidam. Homens sérios e competentes. Enfim, homens que trabalhem e vivam para o Norte, para Moçambique, para Portugal.
Outro apelo peço ao Governo da Nação - e que é o seguinte: que acabe com o trabalho ao sábado no Estado de Moçambique, à semelhança dos países vizinhos - a chamada semana inglesa -, parecendo que não, quantos desastres se evitariam? O homem que trabalha, quer em oficinas, escritórios ou a atender o público, pouco ou nenhum rendimento dá quando se aproxima o dito sábado, pois a sua maior preocupação é, devido ao cansaço, preparar à pressa o seu automóvel, quando o possua, para se deslocar, juntamente com a família ou amigos, para uma praia, esteja ela a que distância estiver, a qualquer velocidade, não olhando ao perigo para ainda alcançar cedo o local desejado, a fim de recuperar as energias que durante a semana despendeu, uns debaixo do sol escaldante e outros a destilarem nos escritórios ou ao balcão de um estabelecimento.
Sr. Presidente: Vou terminar esta minha intervenção, porém com a firme certeza de que algo tentei fazer em benefício de toda a população do Norte de Moçambique, muito embora passe despercebido ao Governo da Nação o que aqui tenho dito e pedido, o que muito penalizado ficaria se isso acontecesse.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem!

O Sr. Alberto de Meireles: - Sr. Presidente: O Instituto do Vinho do Porto comemora hoje, festivamente, o seu 40.° aniversário. É um facto que merece ser salientado e que transcende, a meu ver, a cidade do Porto e o próprio Douro, porque deve ter a projecção nacional merecida.
O Instituto do Vinho do Porto foi criado no ano de 1933, antes da promulgação do Estatuto do Trabalho Nacional e da aprovação, por plebiscito, da Constituição Portuguesa. É, portanto, um organismo pré-corporativo no tempo e de coordenação económica de grau superior virado à exportação. Podemos dizer, num juízo político desapaixonado, e penso que justo, que tem cumprido com dignidade a sua missão. Em colaboração com a Casa do Douro, Federação dos Viticultores da Região do Douro e com o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto, colaboração que nem sempre terá sido fácil, o Instituto do Vinho do Porto tem realizado, com dignidade e eficiência, a sua tarefa, e nela se contém a função de garantir á genuinidade do vinho, defender a sua qualidade, velar pela garantia da marca.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - É de louvar, Sr. Presidente, a actividade incansável dos seus dirigentes, dos seus serviços e do seu laboratório, que é modelar. E não se reparará que lembre os nomes ilustres que dirigiram o Instituto do Vinho do Porto: Ricardo Spratley, José da Costa Lima, que se manteve ao serviço até ao limite de idade, Couceiro da Costa, num breve período, e de há alguns anos para cá João Brito e Cunha tem tido a seu cargo a tarefa de orientar e dirigir o Instituto do Vinho do Porto. E com notável brilho.
Citarei ainda alguns dos colaboradores mais evidenciados já falecidos: Valente Perfeito e Bernardes Pereira.
O Instituto do Vinho do Porto realiza, no nosso tempo, aquele pensamento, actualizado evidentemente, que o marquês de Pombal teve ao criar a Companhia da Agricultura e das Vinhas do Alto Douro, ao tempo Companhia privilegiada, como era moda, e que veio a realizar uma tarefa notabilíssima. Os ventos do liberalismo puseram termo à sua acção, mas, passado tempo, veio a ressuscitar-se toda a estrutura e organização de que o Douro precisava. Coube a João Franco, em 1908, delimitar de novo as regiões demarcadas.
E, coisa curiosa, no fim da sua vida, o grande estadista que foi João Franco teve a última alegria ao receber na sua casa das Janelas Verdes a manifestação espontânea dos viticultores do Douro, que vieram a Lisboa agradecer a Salazar o ter atendido aquilo que há anos pediam.
Sr. Presidente: Depois de saudar o Instituto do Vinho do Porto, que hoje comemora o seu 40.° aniversário, parece que se justifica inteiramente referir a feliz circunstância de se encontrarem nesta sala para assistir à sessão alguns membros da Câmara dos Comuns, que fazem parte do grupe parlamentar anglo-português.
Tenho gosto em os saudar, e tenho gosto porque, além de este ano comemorarmos o 6.° centenário da aliança anglo-lusa, que é, segundo creio, a mais antiga aliança entre países, a sua presença aqui significa muito no sentido da colaboração e da compreensão dos problemas e dos interesses portugueses.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Não podemos esquecer o prestígio e as nobres tradições da Câmara dos Comuns a que per-