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5 DE JUNHO DE 1981 2955

Eu sei que a AD não era capaz de fazer melhor, não só porque as ilhas estão longe, mas porque também elas, para além das dádivas e de todo o esforço dos trabalhadores portugueses, no fundo foram deixadas ao seu próprio destino. Não houve mobilização nacional, como devia haver, de estruturas, de meios económicos e financeiros e do próprio povo. Foi deixado aos próprios o encargo da reconstrução. Forneceram-se alguns técnicos e entregou-se tudo à iniciativa privada, que vai aproveitar-se da desgraça do povo para colher mais lucros do que os que costuma ter normalmente.

Entretanto assumiu a presidência o Sr. Vice-Presidente António Arnaut.

O Sr. Presidente:- Srs. Deputados, vamos agora entrar na apreciação e votação dos votos que ficaram pendentes da sessão de ontem.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tenha a bondade.

O Sr. Narana Coissoró (CDS): - Sr. Presidente, dado que alguns deputados se encontram em trabalhos de subcomissão, pedia só alguns momentos, a fim de que fossem chamados, dado estar, em causa uma votação.

O Sr. Presidente: - Com certeza, Sr. Deputado.

Pausa.

O Sr. Presidente:- Srs. Deputados, os votos que hoje irão ser objecto de votação já foram discutidos na reunião de ontem. O primeiro é da autoria da UDP e o segundo da autoria do PCP, referindo-se os dois à mesma matéria, ou seja, ao problema da morte de um jovem irlandês do IRA. Trata-se agora apenas da sua votação.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE): - Sr. Presidente, parece-me que ontem houve aqui uma certa confusão entre o votar-se ou não os votos apresentados. Sucederam-se intervenções não só sobre a matéria em discussão como sobre a problemática de se votar ou não, e eu, que tinha a minha intervenção preparada para justificar a nossa posição de voto, acabei por não intervir. Mas, pelo facto de o Sr. Presidente em exercício ter encerrado o período de antes da ordem do dia, eu entendi que prosseguiriam hoje as intervenções sobre os votos em apreço.

O Sr. Presidente: - O Sr. Deputado tem razão.
A informação que eu tinha e que me foi fornecida pelos colegas da Mesa era de que a discussão tinha sido encerrada. Mas, de facto, não é exactamente assim. Ontem, o que foi encerrado foi o período de antes da ordem do dia. Por isso V. Ex.ª, se quiser, poderá usar da palavra para a discussão dos votos em causa. Peco-lhe é a máxima brevidade para ver se conseguimos votar ainda hoje os votos pendentes.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE):- Sr. Presidente, Srs. Deputados: Mais dois patriotas irlandeses ofereceram a sua vida à causa da dignidade da luta pela libertação da sua pátria.

O Sr. Presidente:- Sr. Deputado, peço-lhe desculpa pela interrupção, mas é apenas para chamar a atenção dos colegas -lamento ter de o fazer tão frequentemente- para que tomem os seus lugares e oiçam com um mínimo de atenção a intervenção dos oradores.
Este aviso faz-se, aliás, com mais insistência a alguns funcionários que circulam pela Sala as intervenções ou mesmo durante as votações.
Sr. Deputado, aguardemos apenas mais alguns momentos para que os nossos colegas se sentem e haja condições na Sala para que V. Ex.ª possa proferir a sua intervenção.

Pausa.

Pode continuar, Sr. Deputado Herberto Goulart.

O Orador - O MDP/CDE exprime o seu pesar pela morte de Raymond McCreesh e Patsy O'Hara. Associa tal pesar à admiração por homens que vão ao sacrifício total da vida perdida hora a hora a favor da causa que abraçaram, em sinal da profundidade do seu patriotismo.
O nosso voto é também uma voz que se ergue pela justiça e contra o farisaísmo, contra o clima de mistificação em que certos meios têm pretendido envolver este acto tão simples, tão concreto, de homens que se deixam morrer à fome pela reivindicação do seu estatuto de presos políticos.
Na nossa posição movem-nos sentimentos de solidariedade e de respeito por todos estes jovens irlandeses, cuja reivindicação não visa vantagens pessoais. Por isso vamos votar favoravelmente o voto de pesar proposto pelo PCP.
Posição diferente é a nossa quanto ao voto da UDP. Assumimo-nos na atitude moral de exortar o Governo da Grã-Bretanha a tomar medidas efectivas para evitar o sacrifício de novas vidas de patriotas irlandeses, quando é conhecido que os grevistas falecidos já foram substituídos, na mesma forma de luta, por outros companheiros. É a atitude que esperamos se queira tomar na Assembleia da República, em coerência, aliás, com outros votos similares já aprovados neste Parlamento.

Aplausos do MDP/CDE e do PCP.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, vamos votar, em primeiro lugar, o voto apresentado pela UDP.

Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS, do CDS, do PCP, do PPM, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE e o voto a favor da UDP.

É o seguinte o voto rejeitado:

Tendo tomado conhecimento da morte do jovem Raymond McCreesh, terceiro patriota irlandês a perecer em greve da fome, a Assembleia da República, considerando:
Inadmissível que tal se continue a passar; Intolerável que esta autêntica e bárbara condenação à morte de homens com tão elevada estatura moral ë política acon-