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166 I SÉRIE - NUMERO 5

O Sr. António Gonzalez (INDEP): - Peço a palavra, Sr. Presidente, para um pedido de esclarecimento.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, Sr. Deputado.

O Sr. António Gonzalez (INDEP): - Sr. Deputado Pedro Pinto, Sr. Presidente, Srs. Deputados: O meu pedido de esclarecimento, ao fim e ao cabo, não é só meu; pelos vistos, praticamente todos aqueles que conhecem as opções práticas do PSD têm as mesmas dúvidas. Os pontos que a JSD aprovou no seu congresso, ou seja, a regionalização e a descentralização, são dois pontos fundamentais - sendo também importante saber como é que vai ser feita essa regionalização e descentralização. Mas como é possível e como é que se espera que a JSD possa influir em toda essa acção política, em todas essas velhas opções?
Penso que - isto não é ironia - os aplausos que ouvi da sua bancada a esses pontos dão-me a sensação que nós vamos assistir ao longo dos próximos meses a um caminhar do PSD nesse sentido e até em termos do plano energético nacional, não sei se os deputados do PSD sabem quais são as posições da Juventude Social-Democrata sobre esse mesmo planeamento. Vai ser interessante, quando se realizar aqui o debate sobre a objecção de consciência, ocupação dos tempos livres, etc., etc., etc. Pergunto, pois, como é que a JSD vê a acção de arrastamento que pode ter sobre o velho aparelho do PSD.

O Sr. Presidente: - Para formular um pedido de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Areosa.

O Sr. Paulo Areosa (PCP): - Sr. Deputado Pedro Pinto, ouvi com atenção as suas palavras e gostaria, antes de mais, de fazer duas notas em relação à sua declaração.
Se, por um lado, ouvi referir o adiamento sucessivo das soluções, a referência às promessas que por inúmeras vezes não são cumpridas e que perdem credibilidade, não o ouvi retomar - e digo-o sinceramente, infelizmente - algumas daquelas que me parecem ser, em termos de orientação política geral aprovada no último congresso da JSD, talvez um pouco de inovação a que tem sido dado destaque na comunicação social. Esta a primeira nota que faria sobre a sua declaração que produziu há pouco.
Por outro lado, referindo problemas gerais da juventude - entre os quais os problemas ligados ao mundo do trabalho, ao desemprego, os problemas do ensino, do serviço militar, etc. -, não o ouvi, nem por uma única vez, responsabilizar o actual Governo pela situação que existe e pela não tomada de medidas adequadas à solução do conjunto de problemas que enunciou. Esta, a segunda nota que desejaria fazer.
Creio que talvez não seja por acaso que, ao concluir a sua intervenção em nome da JSD, tenha reafirmado - e creio que o posso entender assim - a confiança na maioria e no Governo por um prazo, se bem que limitado, de 6 meses. A questão que lhe desejaria colocar é esta: a actual maioria, o actual Executivo, tem vindo a acenar com prazos sucessivos para resolver os problemas, designadamente os da juventude! Não vale a pena falar das 100 medidas para os primeiros 100 dias e das medidas para o 1.º ano, mas agora é a própria JSD que apresenta um novo prazo de mais 6 meses, findo o qual virá uma crítica mais cabal ou apenas um novo prazo para serem tomadas as medidas necessárias.
Ora, Sr. Deputado, a questão que lhe deixava era esta: valerá a pena esperar mais 6 meses para ver o que dá este Executivo e esta maioria?

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Pedro Pinto, se desejar responder, tem V. Ex.ª a palavra.

O Sr. Pedro Pinto (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Poderia começar pelo fim e salientar a minha surpresa por, ao manifestar a opinião de uma organização política, quase todos os Srs. Deputados terem falado nos prazos ou na limitação de tempo que apresentávamos para o início daquilo que consideramos a apresentação por parte deste Governo das linhas mestras de uma política global de juventude.
E fico tanto mais surpreso quando tenho a concepção que em política não chega só dizer aquilo que se vai fazer, mas é bom que se diga qual o prazo em que se pensa realmente fazê-lo, para que as pessoas possam vir a ser responsabilizadas. É um dos males existentes em Portugal e, devolvendo ao PCP, gostaria de saber em quantos anos pensariam desenvolver o seu projecto - talvez tivessem em definitivo todo o tempo à frente para o fazer. O que é uma realidade é que nós actuamos de forma diferente. Ora, a JSD - e devolvo a todos os dirigentes de organizações de juventude que aqui falaram - tem uma prática diferente: daqui a 6 meses, os senhores terão a resposta se mantemos ou não o apoio político a este Governo e, viremos cá dizer, e lembrem-se disso, por que razão apoiamos o Governo e o mesmo faremos se lhe retirarmos a confiança.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Isto para acabar com esta questão e para não haja dúvidas que ainda há em Portugal quem tenha uma concepção de política que vai para além das palavras.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Quanto ao Sr. Deputado Jorge Góes, gostaria de lhe dizer o seguinte: quanto ao conteúdo ideológico da JSD, sinceramente, devo dizer-lhe que me surpreende esta pergunta. Mas, dou-lhe um conselho: corra este país inteiro e veja quantos jovens sociais-democratas e jovens centristas encontra. Eles talvez lhe expliquem a resposta.

Aplausos do PSD.

Quanto à nossa responsabilidade e solidariedade em relação a este Governo, que fique claro o seguinte: a JSD é solidária com este Governo e considera que, na actual conjuntura, esta é a única solução governativa capaz de solucionar os problemas do País.

Vozes do PSD: - Muito bem!