O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

4050 I SÉRIE - NÚMERO 106

As cerca de 1400 cooperativas agrícolas e de crédito agrícola, suas uniões, federações e brevemente a sua confederação, representando mais de um milhão de pessoas, são os interlocutores certos que o Ministério precisa e serão, com certeza, a alavanca do sucesso para a modernização que todos esperamos para a nossa agricultura.
Os ramos cooperativos, agrícola de crédito, embora conscientes das dificuldades que terão de enfrentar, têm esperança de que a sua unidade e a crença nas suas estruturas cooperativas hão-de vencer o desafio comunitário, assim os governos não continuem a considerá-los uma espécie de tolerados e continuar a não canalizar para estas organizações os apoios financeiros a que têm direito, pois delas dependerá em grande parte o aumento da nossa produção agrícola.
Atrevo-me mesmo a afirmar que sem as cooperativas agrícolas e de crédito a modernização da nossa agricultura dificilmente se fará, sendo muito mais penoso o sacrifício das gentes do campo.
Tenhamos esperança e confiemos na capacidade dos Portugueses que saberão vencer, também esta batalha, como já o fizeram noutra fases da sua história.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Inscreveram-se para pedidos de esclarecimento os Srs. Deputados César Oliveira, Hasse Ferreira e Margarida Tengarrinha.
Assim sendo, tem a palavra o Sr. Deputado César Oliveira.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Sr. Deputado Bento Gonçalves, julgo que não podemos correr o risco - e desculpe a minha franqueza e frontalidade mas é o meu jeito próprio de estar aqui na Assembleia- de transformar a discussão da integração de Portugal na CEE (seja qual for a posição que se tenha em relação a esse problema fundamental da sociedade portuguesa), adoptando duas hipóteses possíveis: ou tratando esta questão como quem discute a elevação a vila ou a freguesia de «Espadim-de-Baixo» ou (e esta solução é que não podemos adoptar pois tal seria lamentável) aproveitando este debate para fazer pré-campanha eleitoral, que foi aquilo que V. Ex.ª fez.

Uma voz do PS: - Muito bem!

O Orador: - V. Ex.ª veio aqui falar das virtudes excelsas do Partido Social-Democrata ...

Uma voz do PSID: - E com toda a razão!

O Orador: - Admito que um português míope, ao nível das 15 ou 20 dioptrias - se é que há isso! -,lhe veja tais virtudes. Mas que V . Ex. e não pode depois escamotear as responsabilidades que o seu partido tem tido na governação do País e particularmente na agricultura. Os últimos Ministros da Agricultura - e maus- têm sido do PSD!
Portanto, V. Ex.º dirija as perguntas para o interior do seu próprio partido e não venha para aqui armar-se em «São Bento Gonçalves», com umas asas puras e imaculadas de anjo ...

Risos do PS e do CDS.

O Orador: - . . , tentando convencer-nos que o PSD nada tem a ver com o Governo, que o PSD não está no Poder nem tem tido nada a ver com a agricultura, há pelo menos 6 anos! O Sr. Deputado não pode dizer isso, não é honesto, é mistificador e está a contribuir para a falta de clareza da prática política em Portugal. Aliás, espero que a nossa integração económica na Europa ensine certas forças políticas portuguesas a serem democráticas e a terem outra prática política.

Aplausos da UEDS e do PS.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Bento Gonçalves, deseja responder já ou no final das intervenções?

O Sr. Bento Gonçalves (PSD): - Sr. Presidente, só queria dizer que o meu partido não me dá tempo para responder, de modo que não posso responder às perguntas que me possam colocar.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado César Oliveira.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Sr. Presidente, apenas queria dizer que gostaria de conceder um pouco do meu tempo ao Sr. Deputado Bento Gonçalves. Mas, de facto, se o PSD não lhe dá tempo, lá terá as suas razões e não vou ser eu a suprir as razões do PSD.

Risos do PS e do PSD.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Hasse Ferreira.

O Sr. Hasse (Ferreira (UEDS): - Sr. Presidente, penso que o meu camarada César Oliveira já disse tudo o que havia a dizer. De facto, sinto-me numa situação difícil ao estar a interrogar o Sr. Deputado Bento Gonçalves, mas compreendo muito bem que, depois do seu discurso, a direcção do seu grupo parlamentar não lhe dê tempo para responder.
Não ficou, contudo, claro se V. Ex.ª considera ou não como positiva, no plano agrícola, a integração de Portugal na CEE, como também não ficaram claras muitas outras coisas. Porém, dado que não vai responder, não lhe vou perguntar mais nada.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr.ª Deputada Margarida Tengarrinha.

A Sr.ª Margarida Tengarrinha (PCP): - O Sr. Deputado diz que não lhe dão tempo para responder e também entendo porque é que lho não dão. De qualquer modo, faço as minhas perguntas, que vão no sentido do que já aqui foi dito. Como o Sr. Deputado é do partido do Sr. Ministro da Agricultura, pergunto-lhe se esta questão - que é considerada a mais sensível, delicada e a mais grave, em termos da adesão vai ter o mesmo tratamento por parte do PSD e do Sr. Ministro, no sentido de que não há tempo para respostas, para intervenções e de que está tudo dito sobre agricultura.

O Sr. José Magalhães (PCP): - Muito bem!

A Oradora: - Também gostaria de saber se, perante os níveis tecnológicos, de produtividade, que o Sr. Deputado referiu, pensa que o período de transição será suficiente para ganharmos essa maratona incrível, e impossível de ganhar, em termos da agricultura portuguesa.