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I SÉRIE-NÚMERO 50 1870

melhor, hoje mais do que ontem, hoje de forma mais organizada, mais disponível do que ontem, nada têm feito.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Se V. Ex.ª tivesse feito essa avaliação, não teria dito o que disse.
Mais: falou V. Ex.ª dos médicos de família, mas não tem o direito, em termos políticos, de o fazer,

O Sr. Jorge Roque Cunha (PSD): - Esta agora! ... Era o que faltava! ...

O Orador: - ... porque VV. Ex.as não foram capazes de dar ao médico de família a dignidade necessária à função que desempenham e indispensável para resolver os problemas de saúde dos portugueses, principalmente no que se refere aos cuidados primários. VV. Ex.as colocaram os médicos de família a trabalhar nas urgências dos hospitais, em vez de os terem colocado a trabalhar nos seus consultórios, ...

O Sr. José Junqueiro (PS): - Bem lembrado! ...

O Orador: - ... VV. Ex.as não foram capazes de estimular o preenchimento de vagas nos internatos de clínica geral - e, hoje, a situação é diferente -, VV. Ex.as deixaram os centros de saúde sem médicos de família e hoje a situação é diferente.
Portanto, V. Ex.ª não tem o direito de vir aqui dizer aos portugueses que a situação hoje é pior do que a de ontem. Tem todo o direito de criticar a situação, tem todo o direito de avaliá-la, tem todo o direito - e o dever de apontar as deficiências e de, eventualmente, apresentar propostas para corrigi-Ias, mas não tem o direito de vir aqui dizer que nada se faz, que tudo está mal, que tudo está pior. Não tem esse direito!
Sr. Deputado, a minha pergunta é tão simples quanto isto: afinal, qual é a solução, quais são as propostas políticas da futura AD? São as propostas que V. Ex.ª não apresentou quando discursou da tribuna? São as propostas do CDS-PP, que também não foram apresentadas? São os discursos de 1990 e de 1991, que aqui foram trazidos por algumas bancadas?
Sr. Deputado, afinal qual é a vossa política, qual é a vossa proposta para os portugueses? Será que a vossa proposta é plagiar aquilo que hoje se faz e que ontem não foram capazes de fazer?

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Jorge Roque Cunha.

O Sr. Jorge Roque Cunha (PSD): - Sr. Presidente, Sr. Deputado Alberto Marques, penso que as suas tentativas de exibição perante a Sr.ª Ministra da Saúde falharam!

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Eu não queria usar aqui um termo que um colega nosso usou, o do «cyesmanismo», que, por vezes - e é o caso do seu , ultrapassa o mínimo do decoro. O Sr. Deputado é capaz de dizer que, em Portugal, não há problemas na área da saúde? É capaz de desmentir, objectivamente, qualquer dos dados que fiz da tribu

na? Sr. Deputado, não pode desmentir nenhum deles! Para detectalos, basta andar com os olhos e com os ouvidos abertos!
Sr. Deputado Alberto Marques, eu ouvi-o com muita serenidade e, para mim, a verdadeira irresponsabilidade é reconhecer que está tudo feito, que o problema está todo resolvido e que nós não temos razão nas nossas denúncias. Só que o problema não são as nossas denúncias, o problema é que são as pessoas que denunciam.

O Sr. Azevedo Soares (PSD): - Muito bem!

O Orador: - E essas pessoas são os trabalhadores dos serviços de saúde, os técnicos, os beneficiário que estão à espera e que desesperam com as listas de espera, etc.
Sr. Deputado, existem ou não 80 000 pessoas em lista de espera, números oficiais do Ministério da Saúde?

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - Existem, mas não se pode falar disso!

O Orador: - Existem ou não problemas na área da organização dos recursos humanos no nosso país que levaram a que, com este exame que o Ministério da Saúde fez, um pouco extemporâneo provavelmente, muitos centros de saúde da periferia deixassem de ter médicos de família para eles viessem para o centro?

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - É, mas não se pode dizer!

O Orador: - É ou não verdade que as misericórdias e o sector social estão há três anos a discutir um acordo com o seu Governo, sem terem conseguido, até hoje, qualquer resposta?

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - É, mas não se pode dizer!

O Orador: - É ou não verdade a derrapagem financeira do Serviço Nacional de Saúde?

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - É, mas não se pode dizer!

O Orador: - É ou não verdade, Sr. Deputado, que, hoje, as pessoas que pensam recorrer aos serviços de saúde se imbuem de uma pequena angústia?

A Sr.ª Manuela Ferreira Leite (PSD): - É, mas não se pode dizer!

O Orador: - Sr. Deputado, perante isso, a nossa voz não se calará, até porque, por muito que o Partido Socialista tenha a arrogância de pensar e de falar do alto da sua poltrona do poder, nós sabemos que o poder é dado pelo povo e que será também o povo quem lhe irá tirar o poder.

Aplausos do. PSD.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a pa
lavra o Sr. Deputado José Barradas.

O Sr. José Barradas (PS): - Sr. Presidente, Srs. Ministros, Sr. Secretário de Estado, Sr.ªs e Srs. Deputados: