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II SÉRIE-A — NÚMERO 243

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e humano, embora seja difícil antecipar o ritmo de adoção das tecnologias e o impacto que estas

produzirão nas sociedades. Para além de tecnologias específicas, a hiperconectividade7 está a

impulsionar a transformação digital. O número de dispositivos conectados globalmente pode aumentar

de 30,4 mil milhões em 2020 para 200 mil milhões em 2030. O aumento da conectividade de objetos,

lugares e pessoas resultará em novos produtos, serviços, modelos de negócios e padrões de vida e

trabalho. No entanto, a emergência de novas tecnologias e da hiperconectividade não é isenta de

desafios, seja ao nível do emprego, seja ao nível da segurança de pessoas e bens.

3. Pressão sobre os modelos de governação e os valores democráticos

A UE constitui, em número de países, o maior agrupamento de democracias do mundo, mas a

governação democrática está em recuo a nível mundial8. É provável que as zonas de instabilidade e

de conflito próximas da UE e mais além se mantenham, que a instabilidade nestas zonas se agrave

ou se expanda a outras regiões. A desinformação em larga escala, alimentada por novas ferramentas

e plataformas digitais e em rede, colocará desafios crescentes aos sistemas democráticos e conduzirá

a um novo tipo de guerra da informação.

4. Mudanças na ordem mundial e na demografia

A população mundial atingirá 8,5 mil milhões de pessoas em 2030 e 9,7 mil milhões em 2050. O

crescimento demográfico será desigual e estagnará em muitas economias avançadas. As próximas

décadas serão marcadas por uma redistribuição crescente do poder no mundo, com a deslocação do

centro de gravidade geoeconómico para leste. É provável que as rivalidades e as fragilidades mundiais

aumentem provocando a fragmentação da governação e das infraestruturas mundiais. Poderão surgir

novos intervenientes mais assertivos com capacidades e aspirações crescentes, o que pode incluir

intervenientes não-estatais, bem como movimentos transnacionais. Nenhum interveniente individual

estará em posição de controlar todas as regiões do mundo e todos os domínios de intervenção, pelo

que as dependências e as capacidades estratégicas continuarão a emergir e a evoluir.

1 Trata-se de mudanças sociais, económicas, políticas, ambientais ou tecnológicas globais que se formam lentamente, com

a capacidade de influenciar um alargado espectro de atividades, processos e perceções, a todos os níveis: social, económico,

político, etc., possivelmente durante décadas 2 Shaping the Trends of Our Time, Report of the UN Economist Network for the UN 75th Anniversary, Organização das

Nações Unidas (2020) 3 Infrastruture futures, the impact of megatrends on the infrastructure industry, Global Infrastructure Hub (2020) 4 The future of work in the oil and gas industry, Organização Internacional do Trabalho (2022) 5 Relatório de Prospetiva Estratégica 2021 – Capacidade e liberdade de ação da EU, Comunicação da Comissão ao

Parlamento Europeu e ao Conselho (2021) 6 O ciclo do azoto (ou nitrogénio) é um ciclo biogeoquímico que garante a circulação do azoto no ambiente físico e nos

seres vivos. O azoto é um nutriente utilizado por vários organismos, sendo essencial para formar proteínas, ácidos nucleicos e

outros componentes das células. As atividades humanas alteraram substancialmente o ciclo do azoto, principalmente devido à

utilização agrícola deste gás. A amplitude desta alteração é muito maior do que a modificação do ciclo do carbono resultante

das emissões de gases com efeito de estufa. Esta situação afeta a água doce, as zonas costeiras e a saúde humana. 7 A hiperconectividade é uma designação para a integração entre o mundo físico e o digital, a Internet das coisas, a

tecnologia para casas inteligentes, a utilização dos megadados, a realidade aumentada e virtual, a aprendizagem automática

e outras tecnologias baseadas na inteligência artificial. 8 Um em cada dois regimes democráticos em todo o mundo está em declínio, fragilizado por problemas de legitimidade,

limitações de liberdades essenciais ou por ausência de transparência. O mais recente relatório sobre o Estado Global das

Democracias, relativo ao ano de 2021, do Economist Intelligence Unit (EIU) indica que a percentagem de países democráticos

em regressão é o mais elevado da última década (45,7 %).