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7 DE FEVEREIRO DE 2025

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o Hospital de São Gonçalo, em Amarante. Além disso, conta com 73 unidades funcionais, distribuídas pelos 12

municípios da sua área de influência.

A ULSTS dá resposta em cuidados de saúde a cerca de 520 000 pessoas, numa região empobrecida e

envelhecida, onde muitos serviços públicos foram enfraquecidos e onde falta uma rede de transportes públicos

capaz de servir adequadamente os residentes e trabalhadores.

Na sua comunicação oficial, a ULSTS afirma que «esta integração permite uma melhor articulação entre os

diferentes níveis de cuidados de saúde, desde os cuidados primários aos cuidados hospitalares, otimizando a

resposta às necessidades da população.

A ULSTS assume como missão a identificação das necessidades de saúde da sua população de referência

e a garantia de uma resposta integrada a essas necessidades, procurando a melhoria dos níveis de saúde dessa

mesma população, com ações focadas essencialmente na promoção da saúde e prevenção da doença.

A prestação de cuidados de saúde, adequados e em tempo útil, com garantia de elevados padrões de

desempenho técnico científico, far-se-á com a eficaz e eficiente gestão dos recursos, através de uma adequada

articulação entre os diferentes tipos de cuidados.»

Para lá das proclamações da comunicação oficial, a realidade que os utentes enfrentam diariamente é muito

diferente.

O encerramento e desvalorização, pelos sucessivos Governos, em relação ao Hospital São Gonçalo

(encerramentos de maternidade, serviço de pediatria, serviços de urgência… e degradação dos serviços de

radiologia e de cardiologia) leva a uma maior pressão sobre o Hospital Padre Américo, fazendo com que, na

prática, não seja possível assegurar resposta hospitalar adequada aos utentes da região em muitas

especialidades.

O subaproveitamento do Hospital de São Gonçalo é uma realidade por opção política dos sucessivos

governos PS e PSD/CDS. Segundo informação que nos foi dada por anteriores conselhos de administração, um

investimento de dois milhões de euros seria suficiente para aumentar a capacidade instalada desta ULS e

dispensar avultados gastos com recurso a privados.

Com os mais diversos argumentos, foram sendo encerrados serviços ao longo dos anos, agravando os

problemas de acesso a cuidados de saúde por parte de muitas pessoas, também pelo desinvestimento em

meios materiais, com parca ou nenhuma renovação/atualização de dispositivos e equipamentos.

No âmbito de medidas adotadas durante a epidemia de covid-19, foi encerrada a unidade de saúde de

Jazente, em Amarante, que ainda não foi reaberta.

Com o argumento de reorganização, encerraram-se os SASU de Paredes e Penafiel, para mais tarde reabrir

somente em Paredes, o que contribui para aumentar a pressão sobre o serviço de urgência do Hospital Padre

Américo, por falta de outra resposta no concelho.

Mesmo serviços de atendimento permanente (SAP) que são apresentados como estando em funcionamento

apresentam uma realidade diferente. É disso exemplo o do concelho de Baião, onde, entre o anúncio de

existência de um SAP com funcionamento 24h/dia e a realidade, a diferença é brutal. Veja-se o que aconteceu

no primeiro semestre do ano passado:

• Janeiro: 17 dias sem médico, onze dias com médico apenas 12 horas, um dia com médico apenas seis

horas.

• Fevereiro: 18 dias sem médico, nove dias com médico apenas 12 horas, um dia com médico somente seis

horas.

• Março: 14 dias sem médico, oito dias com médico apenas 12 horas.

• Abril: 13 dias sem médico, dez dias com médico apenas 12 horas.

• Maio: 17 dias sem médico, sete dias com médico apenas 12 horas.

• Junho: nove dias sem médico, dez dias com médico apenas 12 horas

No que diz respeito a exames de diagnóstico e terapêutica, a região depende de serviços privados, que

definem critérios de resposta e prioridade de natureza economicista – quem tem seguro de saúde passa à frente

–, traduzindo-se em transferência de verbas do SNS para instituições privadas, onde os exames auxiliares de

diagnóstico e terapêutica são realizados por profissionais desintegrados da equipa médica que acompanha o

utente, com atrasos consideráveis e frequentemente com falha na partilha dos resultados.