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Sessão de 17 de Julho de Í925

Afonso Costa, por maior que fosse o seu prestígio, nada conseguiu quando pretendia seguir este caminho.

Queria S. Ex.a salvar-se duma situação política difícil e era então com o Senado que havia,o conflito.

Outras eram as condições de que S. Ex.a dispunha na Câmara dos Deputados; lem-bramo-nos bem do que era então a íôrça do Partido Democrático, e a influência que ele exercia naquela Câmara.

Pretender renovar esta velha história com uni cadáver parece-me de mau gosto; julgo isto uma puerilidade que só tem um aspecto desagradável a que o Partido Democrático se devia ter poupado e nos devia, ter poupado.

O Partido Democrático acaba de sofrer um cheque, segundo consta, e o ilustre Senador Sr. Júlio Ribeiro, que veio aqui levantar esta questão, deve estar informado do que se passou na Câmara dos Deputados. Deve ter conhecimento de que o Governo da presidência do Sr. António Maria da Silva havia declarado ir a Belém apresentar a sua demissão ao Sr. Presidente da República.

O Sr. Costa Júnior (interrompendo}'.—S. Ex.a foi informar o Sr. Presidente da República dos factos que só tinha/n passado.

O Orador:—S. Ex.a sabe o que isso quere dizer.

Ora, Sr. Presidente, vir nestas condições apresentar um voto de confiança a um Governo que se sabe foi apresentar ao Sr. Presidente da República a sua de-misssão, que é a consequência lógica do voto de, desconfiança aprovado na Câmara dos Deputados, só pode ter uma explicação: a de não ser a favor do Partido Democrático.

Repito: o Partido Democrático sofreu um cheque na Câmara dos Deputados, devia ter aquela hombridade que leva mesmo até a resignação. Resigaava-se à situação, via que ao cabo de 15 anos de República chegava o momento em que, uma das Câmaras, lhe significou, que estava terminada a sua missão de fazer a felicidado deste País. Ia para a oposição, acoitava nobremente a situação.

Ora esta é a situação que tomam os Par* tidos de prestígio, aqueles que não receiam de se defrontar perante a opinião.

Agora vir aqui, in artículo mortis, pedir uma coroa fúnebre ao Sr. Vicente Ramos para depor sobre o falecido Ministério, que outra cousa não é a moção de S. Ex.a, e sujeitar-se o Partido Democrático a esta situação, é um espectáculo que não honra o Partido, nem o Parlamento. . '

Sr. Presidente: digo com tristeza, com mágoa, este espectáculo da ânsia de se agarrar ao Poder, que é dado por esta forma grave, seria próprio de crianças, mas que não é próprio de homens que têm grandes responsabilidades.

O Si. Artur Costa (interrompendo): — E maior a ânsia do Partido Nacionalista de ir ao Poder.

O Orador: — Continuo a imaginar, e não vejam nisto nenhum desprimor para com S. Ex.as, que daquele lado se deixaram de sentar os homens de responsabilidades e

Dizer ao Partido Nacionalista, que nos 15 anos da vida da República tem estado no Poder escassos meses, que ele tem ânsia de governar, é uma cousa que choca e ofende até o bom senso.

Essa ânsia, esse desespero do Partido Democrático por ver em perigo a sua posição adentro da República, é que é uma triste e desgraçada sitnação.

Não lha invejo!

Não vou discutir largamente a moção do Sr, Vicente- Ramos, nem mesmo vou discutir a já estafada questão das indicações constitucionais ao Sr. Presidente da República.

Acho que não vale a pena.

V. Ex.as têm votos bastantes para depor a tal coroa sobre o túmulo do Ministério.

Mas, Sr. Presidente, S. Ex.as sabem que não criam- um conflito entre as duas Câmaras, porque a prática da Constituição demonstra que isso ó impossível.

S. Ex.as não podem demonstrar por forma alguma que a Câmara dos Deputados, pronunciando-se a favor desta ou daquela situação política, não cumpriu as indicações constitucionais.