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57 | II Série GOPOE - Número: 005 | 14 de Novembro de 2007

enorme investimento nesta área que já ultrapassa os 7 milhões de euros. Tratou-se, portanto, de um esforço muito considerável para a realização da política cultural.
O meu terceiro destaque vai para uma questão que está na base da nossa política cultural pela sua projecção e pela sua importância histórica e de futuro, que é a questão da língua portuguesa.
E começo por trazer aqui à lembrança as conclusões que foram tiradas numa conferência sobre a língua portuguesa que foi realizada este ano no Centro Cultural de Belém, em que, justamente, o Prof. Carlos Reis nos lembrou que estão um pouco esgotadas aquelas linhas tradicionais de estímulo à leitura e que é preciso que elas passem a conviver com novas aprendizagens da chamada literacia informal. Ele recomenda, de facto, o esforço na criação de novos exercícios de leitura, novos espaços e novas estratégias.
Ora, eu associo esta recomendação a outra questão muito importante, que é a do papel da língua portuguesa no campo da lusofonia, pela sua importância e pela importância do relacionamento entre os dois continentes.
Tomando estes dois itens da língua portuguesa como ponto de partida – e a língua portuguesa é particularmente importante num momento em que parece que se começa a falar da existência de um parlamento lusófono –, irei situar vários investimentos que constam deste orçamento em vários itens.
Começo, naturalmente, por citar o apoio ao Plano Nacional de Leitura, com um investimento de 400 000 euros; o projecto de ampliação da torre de depósitos da Biblioteca Nacional que, como a Sr.ª Ministra recordou, também é muito importante, com um investimento considerável de 2 milhões de euros; a criação da biblioteca nacional digital; o apoio às edições e às traduções de obras portuguesas, que considero da maior relevância; e também a participação de Portugal em feiras do livro, nomeadamente nos países de expressão portuguesa, designadamente Cabo Verde e Timor, mas também em S. Paulo. Aliás, num outro ponto da internacionalização da cultura, este orçamento ainda se refere a uma cooperação com o Brasil, que também me parece da maior importância como exercício de expansão e de estratégia da língua portuguesa no campo do relacionamento entre continentes.
Por último, mas não menos importante, a criação de um novo museu, o Museu Mar da Língua, com um investimento de 3 milhões de euros. A Sr.ª Ministra deu-nos uma pequena síntese das linhas em que este museu vai ser projectado, mas eu aproveito para lhe pedir mais informação, porque creio que é suficientemente importante.
Termino, Sr.ª Ministra, colocando uma questão sobre um investimento que é feito num outro campo, no campo das artes e dos espectáculos, que é o novo Programa Território Artes. Creio que já estamos em condições de fazer um balanço sobre este programa e, portanto, gostaria de lhe perguntar se o investimento que continua a ser feito nesse programa tem correspondido, no terreno, ao esforço que o próprio programa pressupunha.

Entretanto, assumiu a presidência a Sr.ª Vice-Presidente Teresa Venda.

A Sr.ª Presidente: — Para responder, tem a palavra a Sr.ª Ministra da Cultura.

A Sr.ª Ministra da Cultura: — Sr.ª Presidente, Sr.ª Deputada, gostava de começar por agradecer-lhe o facto de ter trazido aqui a lembrança desse estudo que, em Março passado, a Comissão Europeia publicou, juntando, pela primeira vez, no jargão das políticas europeias a expressão «economia e cultura».
Esse estudo da economia, da cultura e das indústrias criativas revela, de facto, duas realidades: não apenas aquela que a Sr.ª Deputada salientou, isto é, que o sector da cultura contribui para o produto interno bruto em vários países de uma forma extremamente significativa e no cômputo geral na União com 2,6%, mas também, o que não é de menor importância, que os países que mais investem na cultura são também aqueles onde o peso da cultura na economia e no produto interno bruto é maior. O exemplo de França, em que o peso da cultura no produto interno bruto é de 3,1%, é paradigmático.
Portanto, parece claro que investir na cultura não é despesa; é um real investimento com retorno, que, muitas vezes, é imaterial.
Já sabemos que a cultura potencia todo o investimento feito em educação e em ciência. Sabemo-lo há muitos anos, mas, se não o soubéssemos, bastaria estarmos atentos ao pensamento de quem pensa o pensamento, como António Damásio, que bem tem insistido em quanto a aposta na educação artística é determinante para potenciar a educação no domínio mais cognitivo, digamos assim. O pensamento cognitivo só se